Saulo Prado
Dona Laura foi apenas educada com Frantesca, não houve chamados carinhosos, nem sequer uma conversa. Era perguntas sobre qualquer coisa. A Tratava bem, mas não se formava conversa alguma. Era domingo à tarde quando pegamos a estrada. Ela apenas acenou da garagem de casa, desconfiei que aliviada com a nossa partida. O fim de semana tinha sido à sua maneira, eu e minha mãe no mercado, carregando sacolas, enquanto Frantesca permanecia no carro, com a cara fechada, como se tudo fosse um sacrifício.
Quando partimos, tive certeza de que minha mãe respirou fundo, agradecendo por ver a filha de família nobre se afastar de vez. Tentei manter a formalidade no banco do motorista.
- Então... gostou da minha mãe?
Frantesca sorriu assentindo.
- Sim, claro, querido. - A mão deslizou pela minha perna, calculada, quase um gesto ensaiado.
Naquele instante tive a sensação clara, ela suportaria a presença da minha mãe apenas por minha causa. E minha mãe, certamente, evitaria qualquer visita