Angelina Da Costa
Deitei na cama macia da chácara, afundando no colchão como se quisesse desaparecer nele. Do outro lado do quarto, Saulo se movia silencioso, arrumando as malas, fechando cortinas, tentando não fazer perguntas. Eu via nos seus ombros tensos que ele estava se esforçando para não parecer preocupado.
Dói. Dói como sempre doeu, desde os treze anos, quando a vida resolveu me presentear com esse ciclo mensal de inferno. Só que agora doía diferente, não era só a cólica habitual. Era a