Angelina Da Costa
Virei a noite dentro de um ônibus. Eu estava insegura, com medo. Sabia que meu conto de fadas podia ter tempo cronometrado. Eu deveria ter ligado, deveria ter pedido ao Saulo para me buscar, e só me arrependi disso quando estava entrando em um táxi, depois de quase meia hora esperando. Pensei em ir para o apartamento, mas não... fui para a chácara. Eu precisava conversar com ele, falar sobre os bebês, sobre os riscos, sobre meus medos e minha decisão, mesmo que fosse contra a dele. Eu sabia que ele os rejeitaria. Saulo sempre deixou claro que nunca teria filhos. E agora eu chegava grávida... de dois filhos dele.
- O portão está aberto, alguém está à sua espera? - perguntou o taxista.
Olhei receosa para dentro. O que tinha acontecido? Permiti que ele entrasse. Afinal, fosse o que fosse, ainda era a casa do meu homem. Desci, pedi ao motorista para esperar. Era estranho, o portão aberto, a porta também.
Entrei.
Papéis estavam espalhados pelo chão, anotações sobre o and