A chuva fina caía desde a madrugada, lavando as ruas e dando ao amanhecer um ar cinzento, quase pesado.
Helena observava o portão da varanda enquanto o vapor do café subia da caneca.
O som da chuva a acalmava, mas o coração ainda batia acelerado.
Desde as ameaças, ela dormia pouco — cada ruído da casa parecia um aviso, cada farol passando na rua acendia um medo novo.
Adriano entrou na sala vestindo camisa azul-marinho e semblante tenso.
— Ele chega hoje — disse, sem rodeios.
— O Rafael? —