A manhã amanheceu cinza.
O tipo de cinza que parece pesar no ar, se infiltrar nas frestas das janelas e deixar tudo suspenso — como se o tempo estivesse esperando algo acontecer.
Helena acordou antes do sol. Não dormira, na verdade.
A noite toda ouviu o vento bater nas folhas, os passos imaginários no corredor, o eco da voz de Adriano em sua mente.
“Eu volto”, ele havia dito dias antes, antes de desaparecer para sempre na estrada.
Mas naquela manhã, o som da campainha partiu o silênci