Ponto de vista de Benjamin
Ainda hoje, quando fecho os olhos, consigo ver o rosto dela: o cabelo preso num rabo de cavalo, as sardas no nariz, o jeito distraído com que ela ria de algo que eu não ouvi. Era uma cena comum — duas meninas andando de mãos dadas pela rua do mercado, rindo alto, com sacolas de compras — e foi esse detalhe de comum que me queimou por dentro. Porque era exatamente aquilo que eu queria: algo comum, humano, simples. Uma companheira. Alguém para dividir a vida, o riso, o