CAPÍTULO 182.
Darina.
Eu nunca chorei.
Desde que voltei daquela maldita montanha, dos arranhões que se fecharam por fora e dos buracos que se abriram por dentro, eu não chorei. Me olhei no espelho, com a cara inchada e a alma murcha, e nem um pingo de água caiu dos olhos. Eles secaram junto com minha fé. Desde que ouvi Eliyahu me dizer que eu não valia nada comparado à Bratva… algo dentro de mim morreu, e fiquei ali, só um corpo.
Mas tudo muda quando Aiyra entra no meu quarto.
É como se minha mãe tivesse vindo me ver. Mesmo enterrada. Mesmo anos longe de mim. Mesmo tendo partido com trinta e poucos anos, ainda tão jovem, ainda tão quebrada. A presença de Aiyra tem o cheiro de passado, de infância, de colo, de casa.
Ela entra como uma tempestade silenciosa. O lenço no cabelo, o batom escuro, a saia longa, os olhos que viram demais. E de alguma forma, ela não precisa sorrir para que eu saiba que estou segura. Pela primeira vez desde o sequestro, me sinto pequena. Pela primeira vez desde que fui arras