CAPÍTULO 181.
Acordo com o som das ondas do rádio ligado na cozinha. São sete da manhã e a casa está imersa num silêncio opressivo, exceto por aquele ruído abafado vindo do andar de baixo. O café está pronto, mas eu não desço de imediato. Fico sentado na beira da cama, olhando para as mãos, como se nelas houvesse uma resposta que não quero admitir.
Desci para o café. A mesa como sempre: duas canecas, pão fresco, queijo e chá. Esperei entre outros acompanhamentos. Quinze minutos. Trinta. Ouvi passos — mas não na escada. Vi a bandeja sendo cuidadosamente retirada do balcão da cozinha por ela. Vi sua silhueta, vestida com um robe leve, passar como um fantasma, indiferente, e subir de volta para o quarto. Levava consigo o café da manhã preparado. Nem me olhou. Nem se deu ao trabalho de fingir que existo.
Subi atrás dela. Bati na porta.
Novamente.
— Darina... — minha voz saiu fraca, quase suplicante.
Ela não respondeu. Bati novamente. A porta se abriu. Ela estava sentada na beira da cama, comendo devaga