CAPÍTULO 175.
Darina
O lema de toda criança nascida em meio à guerra é um só: sobreviva. E é exatamente isso que estou tentando fazer agora — no frio cortante da montanha, quando jogo meus saltos para longe, quando corro descalça, rasgando a pele nos arbustos e pedras, sangrando, enquanto o som de tiros ecoa por todos os lados.
— Não queremos te machucar, princesa. Apenas apareça. — a voz deles corta o ar como faca.
1. Se Deus existe, ele nunca esteve do meu lado.
Ele me deixou nas mãos erradas. Me colocou nas piores situações possíveis do universo. Deus, se existe, tem um senso de humor sádico.
As pedras esfolam meus pés. Minhas roupas estão encharcadas de suor e lama, rasgadas pelas árvores. Galhos me chicoteiam o rosto. Meus pulmões gritam por ar, mas eu não paro. O sangue pulsa nos ouvidos, o coração martela louco no peito.
De repente, mãos me agarram.
— ACHEI A PRINCESA! — grita o homem, triunfante.
Eu mordo seu braço com toda a força da fome ancestral que mora em mim. Ele grita. Me segura. Do