Mundo de ficçãoIniciar sessãoVictor Hugo Collins construiu um império, mas carrega segredos que ameaçam destruir tudo. Quando Lizzy entra em sua vida, uma paixão intensa nasce entre eles, mas o passado de Victor não ficará enterrado por muito tempo. À medida que antigos crimes voltam à tona, Lizzy se vê diante de uma verdade que pode arruinar seu amor e sua própria vida. Em um jogo de mentiras, desejo e redenção, ela terá que decidir se enfrenta os fantasmas do passado, ou se protege o que sente a qualquer custo. Direitos Autorais Esta obra é protegida pela Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98). É proibida a reprodução, distribuição, cópia, adaptação, tradução ou divulgação, total ou parcial, por qualquer meio ou formato, sem autorização prévia e expressa da autora. O plágio, a apropriação indevida de conteúdo e o uso não autorizado desta obra ou de trechos dela configuram crime, estando sujeitos às penalidades previstas em lei. Todos os direitos reservados.
Ler maisLIZZY...
O céu está carregado de nuvens escuras, e o som de trovões ecoa pelas montanhas que cercam a Villa. A cidade, geralmente tão calma e tranquila, parece agora uma panela prestes a explodir. Estou em casa, olhando pela janela, quando vejo os carros pretos estacionando na praça. Homens de rostos duros trocam olhares furtivos, como se estivessem esperando algo ou alguém. Eu não sei, mas sinto que algo está errado. E é nessa atmosfera tensa que João está se metendo. Sei que meu irmão, apesar de ter apenas 15 anos, não tem medo de nada. Ele sempre teve essa necessidade de proteger a família, como se fosse o cabeça da casa, mesmo sendo tão jovem. Mas, na maioria das vezes, ele não pensa antes de agir. E posso ver que ele está se metendo em algo que nem ele entende a profundidade. Hoje, ele saiu do trabalho de mecânico mais cedo. Está feliz por ter conseguido seu primeiro emprego e por poder ajudar minha mãe nas despesas da casa. Estou em casa e vejo ele passando pela rua com uma expressão estranha no rosto. Sei que algo está prestes a acontecer. Não demora muito para ele voltar, sem falar nada, mas com os olhos cheios de tensão. É então que ele me conta o que viu. Eu vi os homens descarregando as caixas, Lizzy — ele diz, com a voz baixa e nervosa. — E eu vi o que tinha dentro. Eu congelo. Sei exatamente o que ele quer dizer. Ele não precisa me contar mais nada. Mesmo sendo uma menina de apenas 11 anos, sei que meu irmão está correndo perigo. As caixas não são simples mercadorias. São armas. Armas que não deveriam estar aqui, em Villa da Serra, tão perto da nossa casa. Mas João, com a cabeça quente, não vê o perigo. Ele apenas quer saber o que está acontecendo, como sempre. Só que desta vez, ele se meteu em algo maior do que imagina. Enquanto ele fala, minha mente corre, e uma sensação de medo aperta meu peito. — João, você não pode brincar com isso. Eles vão te achar — digo, quase gritando, mas tentando manter a calma. Ele me olha, com aquele olhar de quem sabe que está fazendo a coisa certa, mas eu sinto que ele não faz ideia do quanto está arriscando. Quero proteger ele. Mas, neste momento, sei que não posso. Ele entra e corre para nossa mãe. — Entra no quarto com a Lizzy, mamãe… Eu andei bisbilhotando demais onde não devia, e agora estamos com problemas! — João fala, fechando a porta do quarto. Ainda consigo ouvir os gritos dele, sua voz rouca de tanto gritar. Quando fecho os olhos, vejo a quantidade de sangue que fica para trás. Ele era só um moleque enxerido, não há necessidade de machucar ele. — João… Meu filho, por Deus, não matem meu filho! — minha mãe grita desesperada. Ele é espancado até a morte, ou pelo menos é isso que pensamos, pois não haveria possibilidade de uma criança sobreviver a tantos chutes e socos. Não tivemos nem mesmo o seu corpo, e até hoje sinto no fundo do meu coração que ele está vivo em algum lugar. VILA DA SERRA 15 ANOS DEPOIS… — Menina, não vá… Eu já perdi seu irmão, só tenho você! — diz minha mãe, aflita. — Podemos sobreviver com o salário que seu pai deixou. — Não, mãe! A senhora precisa cuidar da saúde, fazer todos os exames… As consultas são caras. Eu preciso arrumar um emprego melhor! O que eu ganho, junto com a pensão do meu pai, não dá para cuidar da senhora. — digo, tentando convencê-la. As horas passam. Ela continua inquieta e relutante. Enquanto isso, recebo uma proposta para trabalhar numa grande empresa. O cargo é simples: cuidar do café dos executivos e da limpeza de alguns setores. Mas sei que, com esforço, posso crescer ali dentro. Às 22h30, meu telefone toca. — Oi, amiga, você ainda não me deu resposta! Vai querer a vaga? O salário é bom, você vai conseguir pagar os exames da sua mãe. — diz Sofia, minha amiga de infância que se mudou para a cidade grande aos dezoito anos. Minha mãe nunca gostou da nossa amizade. Muitos comentam que Sofia ganha a vida se prostituindo nas estradas. Eu nunca acreditei, ela sempre me envia fotos do escritório onde trabalha como secretária. — Minha mãe não quer deixar… Ela insiste que não há necessidade. Me dá só mais um dia, vou tentar convencê-la! Sofia concorda e desliga. Saio do meu quarto para ver minha mãe e, para minha surpresa, ela não está nada bem. Quase meia-noite e a ambulância ainda não chega. Peço socorro aos vizinhos, que me ajudam a levá-la até a emergência na entrada do povoado. — Eu sinto muito… — diz a enfermeira, com a voz grave. — Sua mãe sofreu um infarto. Ela está na emergência, mas precisamos que alguém assine o termo de responsabilidade. Nem todos os procedimentos são cobertos. Ela vai ser transferida para a capital e precisará de cirurgia. Fico sem chão. Minha mãe vai ser operada e eu não tenho nem o suficiente para comprar um lanche… Como vou pagar o hospital? O desespero toma conta de mim. Como vou resolver tudo isso sozinha? Quando amanhece no hospital da capital, meu coração se aperta ao vê-la tão debilitada. A cirurgia foi feita, mas ela precisa permanecer internada por alguns dias. — Estou bem, criança… Não precisa chorar. — ela sussurra, com a voz muito fraca. — Mãe… Eu sei que a senhora não quer, mas eu não tenho escolha. Vou aceitar o trabalho na empresa onde a Sofia trabalha. A cirurgia não foi totalmente custeada pelo estado, e ainda tem a internação. Ela fecha os olhos, chateada, e permanece em silêncio. Mando uma mensagem para Sofia, que logo me envia o endereço da empresa. Espero até as enfermeiras e o médico passarem pelo quarto. Assim que me liberam, corro para a empresa. Caminho distraída pelo corredor do hospital, contando as moedas para pagar a passagem de ônibus, quando um homem alto e forte esbarra em mim, me derrubando no chão. — Seu idiota! Será que não tem olhos? Olha o que fez, derrubou todo o meu dinheiro! — grito, recolhendo as moedas. O homem apenas me lança um olhar frio e segue sem dizer uma palavra. — Mal-educado… Com certeza não teve pai nem mãe para lhe ensinar boas maneiras! Retardado! — resmungo, indignada. Sigo para o elevador, ainda furiosa. Quando a porta se abre, um dos homens que acompanhava o tal "riquinho" se aproxima de mim. — Isso é pelo transtorno que meu chefe causou… Aceite! — ele diz, me oferecendo algumas notas de dólares. — Ele… O seu chefe é um imbecil, isso sim! Mande ele enfiar esse dinheiro… — começo a falar, mas sou interrompida pelo arrogante dentro do carro. — Vamos logo… Não perca tempo com essa mulher! Olha para ela, só vive de escândalo! — diz ele, subindo o vidro do carro sem sequer me olhar. Tudo que eu queria naquele momento era uma pedra. Com toda certeza, acertaria o carro dele.Existem dores que nunca desaparecem completamente. Elas apenas aprendem a ocupar menos espaço. A morte de Maria foi uma dessas dores. Durante semanas, sua ausência esteve presente em cada conversa, em cada lembrança e em cada silêncio. Havia momentos em que eu pegava Victor olhando pela janela da fazenda com o pensamento distante e sabia exatamente onde sua mente estava. Mas a vida possui um hábito curioso. Ela continua. Mesmo quando acreditamos que não deveria, quando pensamos que o mundo deveria parar. Ela continua. É o ciclo natural das coisas. E, pouco a pouco, todos nós continuamos também. Mark permaneceu conosco por algumas semanas. No início, parecia um visitante. Alguém que não sabia exatamente onde sentar durante as refeições, quando participar das conversas ou se tinha o direito de ocupar espaço naquela casa. Mas isso durou pouco, porque ninguém sobrevivia por muito tempo à força daquela família. Logo ele estava sentado à mesa conosco, participando das dis
Victor permaneceu alguns segundos sem responder. Então olhou para Maria. A mulher que, até o último dia de vida, tentou unir aqueles dois novamente. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. — Acho que podemos esquecer isso. Mark respirou aliviado, mas Victor ergueu um dedo. — Porém... O alívio desapareceu imediatamente. — Eu ainda não sei se consigo confiar em você outra vez. Mark assentiu sem discutir, sem reclamar. Porque sabia que aquela era uma consequência justa. — Por causa da Lizzy. Victor virou a cabeça lentamente. — O quê? — Eu sei. Mark ergueu as mãos em rendição. — Sua esposa é linda. Uma mulher incrível e eu confundi as coisas. Victor o encarou em absoluto silêncio. O suficiente para fazê-lo se arrepender da frase. Então respondeu: — A Lizzy é herdeira de uma organização criminosa. Ela é tão mafiosa quanto eu. Apontou discretamente para o fundo do salão. — E se você olhar demais para ela, vai ter problemas com aqueles dois. Mark
O trajeto inteiro foi marcado por um silêncio pesado. Ninguém teve coragem de conversar durante o voo. Nem mesmo as crianças, normalmente incapazes de permanecer quietas por mais de alguns minutos, pareciam encontrar forças para quebrar aquela atmosfera de luto que nos acompanhava desde que recebemos a notícia. Victor passou quase todo o tempo olhando pela janela. À distância, para qualquer pessoa, poderia parecer apenas pensativo, mas eu o conhecia bem demais. Sabia reconhecer quando ele estava sofrendo. Sabia identificar aquele olhar perdido, aquela expressão vazia de quem tenta se manter firme enquanto tudo por dentro ameaça desmoronar. Ele não havia chorado, não de verdade. E isso me preocupava. Porque Victor sempre foi o tipo de homem que suportava a própria dor em silêncio, carregando pesos que ninguém além dele conseguia enxergar. Quando finalmente chegamos ao velório, o céu parecia tão cinzento quanto o estado de espírito de todos nós. Descemos dos carros sem p
LIZZY... Victor não acreditou. Eu vi em seus olhos a confusão, a dor. Durante quinze anos, eu aprendi a reconhecer cada uma das formas que ele encontrava para sobreviver à dor. Ele permaneceu imóvel no centro da sala. Os olhos fixos na mãe, como se estivesse esperando que ela sorrisse e dissesse que tudo não passava de um mal-entendido. — Victor... — Olívia sussurrou. Ele balançou a cabeça devagar. — Não. Aquela única palavra saiu quebrada. Eu me aproximei, mas não toquei nele. Às vezes, quando a dor era grande demais, Victor precisava de alguns segundos para encontrar o chão sob os próprios pés. — Ela estava bem — ele insistiu. — Eu falei com ela há algumas semanas. Ninguém respondeu. Porque não existia resposta para aquilo. Existiam apenas fatos, e fatos raramente consolam alguém. Observei suas mãos. Estavam tremendo, quase imperceptivelmente. Victor sempre pareceu inabalável para quem não o conhecia. Os funcionários, os parceiros de negócios. Até mesmo os f





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