CAPÍTULO 176.
A estrada que desce a montanha é longa, estreita e circular. De um lado, o paredão de rochas cinzentas e frias. Do outro, o abismo. Um precipício que parece chamar por mim a cada curva. Aqui, um erro — apenas um erro — não dá segunda chance. Se eu perder o controle do carro por um segundo, se meu pé falhar, se minha mão escorregar no volante… eu caio. E morro.
Seguro o volante com tanta força que os nós dos meus dedos embranquecem. Meu corpo todo dói, do couro cabeludo aos calcanhares. Meus pés descalços pressionam os pedais, cada movimento é uma facada. Mas eu sigo. Não tenho escolha. Sobreviver é a única opção. Sempre foi.
Conduzo por horas — ou assim parece. O tempo não tem mais forma. A estrada serpenteia abaixo como uma cobra eterna, ameaçadora. O pensamento se infiltra entre os meus tremores: eles não me trouxeram até aqui só de carro. Impossível. Devem ter usado um helicóptero para me levar a essa altitude remota. E é com ele que Ismail provavelmente fugiu. Um covarde elevad