— Você tem certeza disso, Elena? Se você colocar os pés naquele avião, não haverá embaixada ou polícia francesa para te proteger. Você estará entrando no território dele.
A voz de Sarah Jenkins, vinda de Chicago através de uma linha telefônica cheia de estática, parecia o aviso de um oráculo cansado. Eu segurava o fone com tanta força que os nós dos meus dedos estavam brancos, observando as luzes de Paris borradas pela chuva na vidraça do hotel.
— Ele já está aqui, Sarah — respondi, minha voz soando mais firme do que o tremor nas minhas pernas sugeria. — Ele enviou um homem para me caçar no Jardin du Luxembourg. Se eu ficar aqui, sou um alvo estático. Em Chicago, eu sou o fantasma que ele não consegue enterrar.
— Julian está em frangalhos, Elena. Ele passa o dia no hospital com a Bianca e as noites vigiando o canteiro de obras como um louco. Ele acha que tudo isso é culpa dele. Se você aparecer aqui e algo acontecer...
— Nada vai acontecer. Eu tenho as fotos do rosto do capanga dele.