O ar da manhã de Chicago estava carregado com o cheiro residual de queimado que parecia ter se entranhado em meus poros. Enquanto eu subia os degraus de granito do edifício do Chicago Tribune, a pequena unidade de armazenamento digital no meu bolso pesava mais do que todas as minhas câmeras Leica juntas. 1984 estava terminando, e com ele, a era em que os segredos podiam ser enterrados sob escombros ou incinerados em estúdios de fotografia.
Eu destruí meu próprio refúgio, pensei, sentindo o latejar constante da queimadura leve no meu pulso esquerdo. Queimei o lugar onde eu era a mestra da luz para salvar o homem que tentou ser o mestre da sombra. Mas o que sobrou de nós? Dois fugitivos com cinzas nos pulmões e uma prova que ninguém ainda sabe como processar.
Julian caminhava ao meu lado, as mãos nos bolsos do casaco emprestado, o olhar fixo no horizonte. Ele não era mais o arquiteto cujos passos faziam as vigas de aço tremerem; ele era um homem que acabara de descobrir que sua vida