O trajeto até o estúdio foi uma sinfonia de metal e pânico. Julian dirigia o velho Ford com uma agressividade que eu nunca vira, os nós de seus dedos brancos como o gelo que ainda teimava em não derreter nas calçadas. Pelo retrovisor, a van preta era uma sombra persistente, um lembrete de que o mundo de Marcus Thorne não tinha paredes, mas tentáculos que chegavam a qualquer lugar.
Ele está lutando contra dois inimigos, pensei, observando o perfil tenso de Julian. Um está naquela van, o outro está dentro da cabeça dele. Ele teme que a sua própria existência seja um veneno para tudo o que ele toca. Ele olha para mim e não vê a mulher que ama; ele vê a próxima vítima do legado dos Vane.
— Julian, respire — eu disse, colocando a mão em seu ombro. Ele estremeceu sob o meu toque.
— Eu não deveria ter deixado você guardar aqueles negativos, Elena. Eu deveria ter queimado tudo. Eu deveria ter sumido antes que você se tornasse o alvo dele.
— Você não me tornou nada, Julian. Eu escolhi isso