O estéril cheiro de desinfetante e café requentado da delegacia de polícia era um insulto ao meu olfato, ainda impregnado pelo aroma de sândalo e fumaça que definia Julian. Eu estava sentada em um banco de madeira desconfortável, observando o vai e vem de detetives e advogados que pareciam ignorar a tragédia que acabara de ocorrer no Distrito Sul. Meus dedos, manchados de poeira de tijolo e químicos de revelação, batiam um ritmo nervoso sobre o couro da minha mochila.
Julian estava em algum lugar atrás daquelas portas cinzas, sendo interrogado sobre um crime que ele não cometeu sozinho, mas que estava disposto a carregar como uma cruz.
— Srta. Rossi? — Um detetive com o rosto cansado e uma gravata frouxa parou à minha frente. — O Sr. Vane solicitou a sua presença antes de ser transferido para a audiência de custódia. Você tem cinco minutos.
Meu coração saltou. Levantei-me tão rápido que minha cabeça girou. Segui-o por um corredor sombrio até uma sala de interrogatório que cheirava