Mundo ficciónIniciar sesiónLaura Mendes fugiu do Brasil para sobreviver. Com a mãe gravemente doente, uma irmã adolescente sob sua responsabilidade e um pai abusivo do qual precisou escapar, ela atravessou fronteiras em busca de segurança. Em Nova York, sem documentos e sufocada por dívidas médicas que podem destruir sua família, Laura aceita o único emprego capaz de mantê-las de pé. Ser babá do filho de um bilionário. Rafael Monteiro é o CEO implacável que domina o mundo dos negócios com mãos de ferro. Frio. Intocável. Inatingível. Desde que perdeu a esposa no parto de Enzo, ele enterrou o coração junto com ela. Amor é fraqueza. Apego é risco. E ele nunca mais pretende cometer o mesmo erro. Mas Enzo, o menino de seis anos que nunca conheceu o carinho de uma mãe, não sorri para ninguém. Até Laura. Contratada por desespero, ela entra na Penthouse como funcionária e, sem perceber, começa a preencher os silêncios que Rafael aprendeu a suportar. O riso dela aquece corredores vazios. O toque acidental desperta sensações que ele jurou nunca mais sentir. O menino volta a sorrir. E isso muda tudo. O que deveria ser apenas trabalho se transforma em tensão. Em desejo. Em ciúme possessivo quando Rafael percebe que não suporta vê-la perto de outro homem. Ele tenta resistir, ela é só a babá. Uma funcionária. Uma complicação. Mas ele não resiste. Ele a quer. Inteira. Agora. Mesmo sendo proibida. Só que o passado não perdoa. A culpa que Rafael carrega pela morte da esposa ameaça destruir qualquer chance de felicidade. E o status ilegal de Laura pode custar não apenas o emprego… mas a liberdade. Rafael será capaz de proteger a mulher que devolveu a luz ao seu mundo… ou o medo de perder tudo outra vez fará com que ele a perca para sempre?
Leer másCapítulo 1: A Entrevista
Laura Eu apertava a alça da bolsa surrada com tanta força que meus dedos doíam. O elevador de vidro subia devagar pelo coração de Manhattan, e cada andar que passava revelava mais daquela cidade que eu só conhecia de longe: Nova York lá embaixo, um caos de táxis amarelos, pedestres apressados e luzes que nunca apagavam. Aqui em cima, tudo era diferente. Silencioso. Frio. Perfeito demais. Respirei fundo, tentando acalmar o coração que batia como se quisesse fugir do peito. “É só mais uma entrevista”, eu repetia para mim mesma. Mas não era. Era a última cartada. As contas do hospital da minha mãe chegavam na semana que vem, quimioterapia, exames, remédios que custavam mais do que eu ganhava em meses. Nos Estados Unidos, sem um bom seguro, uma doença virava uma sentença financeira. Se eu não conseguisse esse emprego, não saberia mais o que fazer. Não tinha plano B. As portas se abriram no último andar. Uma secretária elegante, de salto alto e sorriso ensaiado, já me esperava. — Senhorita Mendes? — Sim. Laura Mendes. — Por aqui. O senhor Monteiro está aguardando. Eu a segui pelo corredor largo, os passos ecoando no mármore polido. Passei por portas de vidro fosco com nomes de empresas que pareciam de outro planeta. No final do corredor, uma porta dupla de madeira escura. Ela bateu duas vezes e abriu. Ele estava de costas para mim, olhando pela janela imensa que ocupava a parede inteira. Alto, ombros largos, terno preto impecável. Mesmo sem ver o rosto, senti o peso da presença dele. O ar parecia mais pesado, como se o oxigênio tivesse sido sugado. Ele se virou devagar. Olhos cinza-escuros, quase pretos. Queixo marcado, barba bem feita, expressão que não entregava nada. Nem um sorriso, nem raiva. Só... indiferença. Uma indiferença que doía mais do que desprezo. — Sente-se — disse ele, voz grave e baixa, apontando para a cadeira em frente à mesa. Eu obedeci, sentando na pontinha da cadeira, como se qualquer movimento maior pudesse me denunciar. Como se eu não pertencesse ali. Ele não se sentou. Ficou de pé, apoiando as mãos na mesa, inclinando o corpo ligeiramente para frente. Era uma posição de quem manda, e ele sabia muito bem disso. — Você leu o anúncio? — Sim, senhor. Babá para uma criança de seis anos. Tempo integral, moradia inclusa. — Exato. Meu filho, Enzo. Ele precisa de alguém… confiável. Alguém que fique. A palavra “fique” saiu pesada, como se carregasse um peso que eu ainda não entendia. Não era só sobre o trabalho. Era sobre algo mais fundo, algo que doía nele. — Por que você? — ele perguntou, sem rodeios. — Tem experiência com crianças? Eu ergui o queixo. Não ia mentir. Não tinha mais tempo para isso. — Não tenho diploma bonito nem curso de pedagogia, se é isso que o senhor quer saber. Mas criei minha irmã mais nova sozinha desde os treze anos. Minha mãe... — mordi os lábios. — Adoeceu. Eu sei o que é uma criança precisar de alguém que não desista. Sei o que é colo quando o mundo inteiro desaba. Por um segundo, só um segundo. Algo atravessou aqueles olhos cinza. Uma rachadura minúscula no gelo. Mas sumiu tão rápido que eu duvidei de ter visto. — Enzo não é uma criança comum — ele continuou, voz ainda mais baixa. — Ele… não fala muito. Não se apega fácil. Já tivemos cinco babás em três anos. Nenhuma durou mais de quatro meses. Meu peito apertou. Cinco babás. Um menino de seis anos que já tinha sido abandonado cinco vezes. — Eu não vou embora — eu disse, surpresa com a firmeza na minha própria voz. — Se o senhor me der a chance, eu fico. Pelo tempo que ele precisar. Ele me encarou por longos segundos. Como se estivesse pesando cada palavra minha, cada respiração. Como se pudesse ver através de mim. Então, ele se endireitou. — Amanhã às oito. Você vai conhecer Enzo. Se ele aceitar você… o emprego é seu. Ele estendeu a mão. O aperto foi breve, profissional. Mas quando nossos dedos se tocaram, senti um choque elétrico subir pelo braço. Rápido. Inesperado. Ele também sentiu, os dedos dele se contraíram por um instante antes de soltar. — Não me decepcione, senhorita Mendes — disse ele, já se virando para a janela de novo. — Enzo não aguenta mais uma decepção. Eu me levantei, o coração ainda disparado. — Eu não vou decepcionar — respondi baixinho. Mas enquanto saía da sala e apertava o botão do elevador, uma voz dentro de mim sussurrou, fria e insistente: E se for ele quem me decepcionar?Capítulo 186: Onde o Horizonte é InfinitoLaura MonteiroO tempo, que antes parecia meu inimigo, agora parecia ter finalmente feito as pazes comigo. Desde que trocamos alianças naquele escritório, cada segundo ao lado do Rafael tinha uma textura diferente. O ar parecia mais leve, o café mais doce e até o toque das nossas mãos carregava uma eletricidade que não se desgastava. Ser a Senhora Monteiro não era apenas um título; era a confirmação de que eu havia sobrevivido à tempestade e encontrado o meu porto seguro.Hoje era um dos dias que meu menino mais gostava. Sábado. Dia dos “irmãos” como ele rotulou. É um daqueles dias em que o sol de Nova York parecia querer se desculpar por todos os dias cinzentos. Eu tinha acabado de voltar de um passeio no Central Park com as crianças e a Elena. Enzo correu para dentro, ainda agitado com os patos que tinha visto no lago, e a pequena Maria Fernanda dormia o sono dos anjos no carrinho.— Elena, por favor, pode levá-los para cima. Vou ver onde o
Capítulo 185: O Selo da EternidadeRafael MonteiroQuando as portas do meu escritório se abriram e eu vi a Laura parada ali, envolta naquele vestido champanhe que parecia ter sido costurado com luz, meu coração fez algo que eu não sabia ser possível: ele parou e acelerou ao mesmo tempo. Ao estender minha mão para ela, senti aquele choque. Não foi apenas eletricidade; foi um reconhecimento de almas. Foi a mesma voltagem que me atingiu no dia daquela entrevista, quando nossas mãos se tocaram sobre os papéis. Naquele dia, eu era um homem oco, frio e amargo. Hoje, eu sou um homem completo.— Vem, amor. Vamos nos casar. Agora — eu disse, e minha voz saiu com uma urgência que eu não tentei esconder.Eu a levei até onde o juiz de paz aguardava entre as velas. Eu sabia que Laura merecia a maior catedral do mundo, um tapete vermelho que cruzasse Manhattan e milhares de convidados, mas tudo o que envolve a Laura na minha vida é assim: rápido, avassalador e intenso. Eu não podia esperar mais um
Capítulo 184: Onde Tudo ComeçouLaura MendesO tempo é uma entidade curiosa e profundamente relativa. Se eu fechar os olhos agora, consigo sentir o cheiro do café daquela manhã chuvosa em que caminhei apressada para a minha entrevista de emprego, com o coração na boca e o medo do futuro pesando em meus ombros. Parece que foi em outra vida, em outro século. Em tão pouco tempo, vivi décadas; morri e renasci nos braços de um homem que transformou meu caos em constelação.A saudade das meninas é uma pontada constante no meu peito. Sinto falta das risadas da Alice, da segurança da Laís e, principalmente, do abraço de mãe da Evie. Eu não conto ao Rafa para não parecer ingrata pela vida maravilhosa que temos aqui, mas meu maior desejo era poder atravessar a porta e estar com elas, em Houston.Ultimamente, o Rafael tem andado misterioso. Ele entra e sai de salas, fala baixo ao telefone e mantém um brilho enigmático no olhar. Até a Laís, em nossa última conversa por vídeo, parecia estar escond
Capítulo 183: O Cordão Umbilical da AlmaLaís MendesO silêncio do quarto de hóspedes da penthouse nunca pareceu tão barulhento. Nos últimos dias, o tempo acelerou de uma forma cruel, como se tentasse condensar uma vida inteira em poucas horas. O julgamento do Álvaro trouxe o peso da justiça, mas não o da leveza; a alta da Maria Fernanda foi o milagre que nos manteve de pé; o casamento de Ethan e Alice foi o suspiro de esperança. Vi Mabel, Marcos e o pequeno Samuel, que aprendi a amar como se o sangue dele fosse o meu, partirem para Londres. Mas nada, absolutamente nada, me preparou para o peso das malas que agora estão aos pés da cama.Hoje, a minha estrada se divide da estrada da Laura. Hoje, eu deixo Nova York. Hoje, eu deixo o meu porto seguro para construir o meu próprio porto em Houston.Nate saiu do closet carregando a última bolsa de mão. Ele parou, me observando com aquele olhar que transborda compreensão e paciência. Ele sabia que, de todos os combates que já enfrentou, nen










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