Sergio Almeida
Quando conheci a mãe da Lorena, achei que a vida tinha me dado sorte.
Ela era tudo o que eu não sabia que precisava — leve, bonita, gostava de dançar até cansar. Nos entendíamos sem esforço; havia risos, noites longas, o tipo de intimidade que a gente acha que dura para sempre. Até ela engravidar.
Eu nunca quis ser pai. Sempre gostei da liberdade que tínhamos só nós dois. Pedi que ela abortasse — pedi mesmo — e ela se negou. Foi aí que as fissuras começaram. Aos poucos, aquela c