Mundo de ficçãoIniciar sessãoO que fazer quando o amor desafia tudo o que você acredita? Essa é a pergunta que Carly e Pedro terão que responder. Para ela, uma fisioterapeuta que abandonou a fé após uma tragédia na infância, a vida é guiada por certezas, onde atitudes valem mais do que promessas. Para ele, um médico e líder religioso, a vida é uma missão pautada por escolhas inegociáveis. Quando o destino os une nos corredores do hospital, a atração é instantânea, mas o embate é profundo. Carly enxerga em Pedro um homem preso a dogmas, enquanto ele a vê como a mulher que resiste em crer. Ao decidirem encarar o que sentem, a igreja o acusa de viver em “jugo desigual,” e ambos são forçados a escolher entre a razão e a paixão. Para Pedro, esse amor pode ser um propósito de Deus. Para Carly, é o risco de uma nova decepção. Mas essa jornada a fará ter reencontros e aprender que, para a árvore florescer e frutificar, é preciso perdoar para que as feridas do passado cicatrizem.
Ler maisSuas mãos ainda tremiam quando folheava as anotações deixadas pelo homem que procurava. Carly estivera sentada por horas na sala, em frente à lareira apagada, com Monteiro ao lado, os dois cercados por papéis, fotos antigas e um nome que atravessava a história da família, como uma rachadura antiga no vidro — visível, mas até então ignorada.— Jonas nunca soube que meu irmão estava vivo. — Ela murmurou, a voz embargada. — Mas me vigiava o tempo todo!— Provavelmente ele considerava que você era a filha... Se era mesmo ele... mas também tem esse seu irmão, que ninguém sabe. — Monteiro completou. Ela assentiu, respirando fundo.— Pena que nem tive a oportunidade de conhecer ele. — Mas você está viva, Carly. Livre. E diferente de antes: agora sabe a verdade. — Ele apertou levemente sua mão em cumplicidade.Dias depois...O evento anual do Hospital El Dourado havia sido preparado com esmero. O auditório reservado para a cerimônia exalava sofisticação. Cortinas longas e douradas emoldurav
A noite chegava ao fim quando Carly desceu do carro em direção à casa. O receio ainda a acompanhava como uma sombra, os passos eram mais firmes, mas o coração ainda vacilante. Ao subir os degraus da varanda, olhou para os lados, receosa de qualquer sinal estranho. Por precaução, ela pediu para que Monteiro permanecesse mais uma vez. E ele não hesitou. Sabia que naquele momento ela precisava de apoio, se sentir segura.A madrugada passou arrastada. Após horas se revirando entre os lençóis, com o pensamento fervilhando. A casa estava mergulhada na penumbra. Então, ela se levantou em silêncio, em passos leves seguiu até a sala. Monteiro dormia profundamente encolhido no sofá, o lençol havia caído no chão, seus braços cruzados sobre o peito. A luz suave da aurora atravessava a cortina branca, que tocava o seu rosto com ternura, revelando o cansaço misturado à devoção de quem se recusava a ir embora.Carly se aproximou, pegou o lençol e sentou-se no tapete felpudo, recostando-se ao sofá c
A noite anterior não saía da sua cabeça: a voz vibrante ao telefone, a ameaça velada, uma crise antiga que pensava ter cessado estava voltando à superfície. Monteiro passara a madrugada em sua casa, deitado ao seu lado no sofá, escutando suas lembranças, montando as peças daquele quebra-cabeça. Quando o sol finalmente raiou, ele ainda estava ali. Cochilara na poltrona, enquanto Carly tentava dormir no quarto, mas apenas se revirava entre os lençóis. O relógio marcava 08h50 da manhã, quando o som do interfone quebrou o silêncio da casa.Ela atendeu com hesitação.— Entrega para Carline.Então saiu, desconfiada, com Monteiro vindo logo atrás.Ao abrir o portão, um entregador, sorridente, lhe deu uma pequena caixa envolvida em papel kraft. Não havia remetente. Apenas seu nome e o endereço. De volta à sala, ela abriu aquilo com cuidado. Dentro, havia uma foto antiga com uma data no verso, era ela criança brincando no parque com um garoto ao lado fantasiado. Junto, havia um bilhete: "Você
A igreja sempre foi um refúgio para Pedro. Mas naquela noite, sentar-se ali lhe trouxe mais inquietação que consolo. O templo, apesar de cheio, soava vazio para ele. As palavras do culto ecoavam como em outro idioma — distantes, abafadas por uma camada de dor e culpa.Afastado dos cargos pela confissão… Agora tinha tempo para refletir sobre tudo e perceber os olhares, por ser um rosto conhecido demais para passar despercebido. Um nome falado em voz baixa nos corredores.Mesmo sem confirmações, os olhares diziam mais do que qualquer boato. Os abraços se tornaram acenos. Os amigos mais próximos evitavam conversas. E ele, por sua vez, escolhia os cantos. Preferia o anonimato de quem um dia já fora referência.Naquela noite, ele sentou-se mais ao fundo. Sua mãe o chamou para perto, mas ele não quis saber. Fechou os olhos enquanto o louvor se iniciava. Tentava focar no essencial: buscar a Deus. Ainda que tudo ao redor tivesse mudado, Ele permanecia.Quando os olhos de Pedro abriram novamen
A tarde mal tinha se ajeitado sob o céu, e a tensão pairava na casa. Pedro ainda estava sentado no sofá, a cabeça pendendo para frente, tentando assimilar a conversa que acabara de ter com sua mãe. Helena, por sua vez, estava fazendo o almoço nervosamente pela cozinha, soltando suspiros tensos. Aquele momento de reflexão só foi quebrado pelo barulho da porta da frente, se abrindo devagar.Gustavo, o irmão mais velho, entrou. Estava chegando de uma longa viagem e preferiu entrar discretamente, sem fazer alarde. Carregava a mesma imponência de sempre, aquele jeito meio irônico, de quem sabia mais do que dizia, e criticava mais do que agia.Antes, ele tinha parado na área, ouvindo a conversa entre a mãe e o irmão. Escutou quando Pedro disse que iria embora, recomeçar a vida. Então, não conseguiu se conter. Entrou batendo palmas, devagar, com um sorr
O sol da tarde dourava o campo onde acontecia o campeonato amador da escola. Guilbert, focado sob as traves, era o goleiro de seu time. Vestia o uniforme azul-marinho com orgulho, suado e marcado pelas defesas espetaculares que vinha fazendo.A final estava eletrizante, com gritos da torcida ecoando das arquibancadas ao redor do campo. Cada lance era uma verdadeira batalha física e emocional. Gui mantinha os olhos cravados na bola, pronto para reagir a qualquer movimento. Nos minutos finais, o adversário arriscou um chute potente. Mas, o goleiro se lançou no ar e espalmou a bola para o lado, salvando o jogo. O apito final soou, e o time da Manancial comemorou, correndo e se abraçando de pura alegria.— Êh, campeões! Campeões! — Gritaram em coro, levantando os braços.Mas nem todos aceitaram a derrota com esportividade. Jogadores do time adversário se aproximaram com olhares carregados de ameaça. Primeiro vieram os insultos velados, provocações sutis. Depois, como um barril de pólvora,
Último capítulo