A cela de Dante era diferente das outras. Mais ampla, com uma mesa de pedra rústica e duas cadeiras de carvalho pesado. Uma garrafa de vinho tinto e duas taças de cristal finas, um contraste absurdo com aquele ambiente, já nos aguardavam. Virgílio, meu avô, ajustava o pavio de uma vela alta, cuja chama tremula projetava sombras dançantes e animadas nas paredes de pedra brutas.
— Um jantar — observou Dante, sentado com a postura impecável de sempre, como se estivesse à cabeceira de sua própria mesa de jantar, e não em uma cela. Suas roupas estavam sujas, seu rosto marcado pela batalha, mas seus olhos escuros permaneciam os mesmos: frios e calculistas. Ele os fixou em mim. — Que honra inesperada.
Virgílio colocou uma mão pesada e reconfortante no meu ombro. Seu olhar era profundo, carregado de séculos de segredos de família, conhecedor de verdades que nem eu mesma ousava enfrentar.
— Só os dois podem costurar este rasgão — disse, sua voz um baixo eco solene na cela. Sem outra palavra, e