Capítulo 82: O presente do Carrasco

O mundo havia se reduzido ao som do vinho escorrendo pelas fendas da pedra, um sussurro vermelho e final. As palavras do meu pai—não, de Dante—pairaram no ar úmido da cela como uma névoa venenosa, cada uma delas corroendo a fundação de quem eu acreditava ser. Khalifa. Meu nome era Khalifa. E eu havia matado minha própria irmã para roubar não só sua vida, mas sua identidade.

Um tremor incontrolável tomou conta de mim. Minhas mãos, essas mãos que eu achava que curavam, agarravam a borda da mesa de pedra até os nós dos dedos ficarem brancos. Elas haviam administrado o veneno. Elas haviam segurado o machado. Tudo sob o véu de uma mentira tão profunda que eu mesmo acreditara nela.

Dante observou minha desintegração em silêncio. E então, com uma suavidade que partiu o que restava do meu coração, ele se levantou e caminhou até mim. Ele não parecia um prisioneiro, mas um pai chegando até sua filha perdida em uma noite escura.

— Chega, Khalifa — sua voz era um bálsamo rouco, uma absolvição que
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