A dor nas minhas costelas era uma brasa latejante, um lembrete constante do golpe que quase me partiu ao meio. Mas naquele momento, deitado na cama enquanto Elysa, com uma concentração feroz, limpava o ferimento com água morna, a dor era apenas um detalhe distante.
Seus olhos, ainda daquela cor violeta sobrenatural que me deixava sem fôlego, estavam fixos na sua tarefa. Cada movimento de seus dedos era preciso e gentil. Ela sabia a pressão exata a aplicar, para não causar mais desconforto. Ela conhecia a textura da minha pele, o modo como eu contraía levemente quando o algodão passava por um ponto mais sensível. Ela não precisava perguntar; ela simplesmente sabia.Eu a observava, hipnotizado. A mulher que minutos antes era uma visão aterradora de força bruta e determinação assassina, agora se movia com uma graça silenciosa e protetora que me fazia querer chorar.Foi então que a porta do quarto se abriu sem cerimônia.Dante parou na entrada, preenc