Aleksei Vasiliev
A noite é minha cúmplice. O mundo de Aurora pertence à claridade das salas de reunião, ao som das canetas assinando contratos, ao estalar dos saltos contra o mármore dos corredores corporativos. Mas eu me movo entre o que ela não vê. Entre o reflexo das janelas e as sombras que se estendem até o limite do invisível.
Ela saiu tarde naquela noite. Vestia o uniforme de guerra que me fascina, terno preto sob medida, camisa branca impecável, cabelo preso em um coque que expõe a nuca de forma cruelmente irresistível.
Eu a segui até o prédio da empresa. O motorista abriu a porta, ela entrou sem olhar para trás. Sabia que todos a observavam, e não precisava confirmar. Aurora é presença que se impõe.
Do lado de fora, permaneci como parte da noite. O prédio inteiro respirava o nome dela. Telões exibiam campanhas de lingerie que ela aprovou, funcionários andavam apressados como se carregassem ordens invisíveis dela nos ombros.
No último andar, a vi através do vidro. De pé, à ca