Aurora Mancini
Existem noites em que até os sonhos se tornam traições. Eu me deitei com a convicção de que nada em mim pertencia a Aleksei. Que tudo o que havia acontecido, cada toque, cada ordem invertida, cada olhar dele me desarmando, era apenas distração. Uma distração perigosa, mas ainda assim algo sob controle. Ou era isso que eu repetia até conseguir apagar a mente.
Só que os sonhos não obedecem ao controle.
Sonhei com ele. Não um sonho qualquer. Não uma lembrança. Sonhei com Aleksei me olhando como se todo o universo fosse um detalhe diante do que acontecia entre nós dois. Não havia chicotes, não havia correntes, não havia nada além de nós. E isso me instabilizou mais do que qualquer cena de dominação já poderia.
Acordei com a respiração falha, o corpo quente demais para uma madrugada fria. O lençol grudava na pele como se fosse testemunha da mentira que tento sustentar. Passei a mão no rosto e sussurrei para mim mesma: basta. Eu precisava dar um fim antes que essa obsessão de