Mundo de ficçãoIniciar sessãoKallista é uma jovem de acaba de fazer 19 anos e tem sua vida completamente mudada ao saber que não era humana. Seu melhor amigo Luke na verdade é um Lobisomem guardião que estava protegendo Kalli de qualquer outro sobrenatural. Além de Kallista descobrir que não era humana, ela descobre que é odiada e caçada! No mundo sobrenatural o fato de ser hibrida, pelas leis é extremamente proibido e a punição para tal é a morte!. Sendo a ultima herdeira do trono dos Hungrias e Saint Luise, Kallista terá que entrar em um mundo completamente novo, enfrentar clãs antigos e descobrir que ser Hibrida é o menor dos seus problemas.
Ler maisO espelho refletia o último raio da tarde, e eu me encarava como se buscasse respostas que não vinham. Bufei, passando a mão pelo rosto. Estava jogada no chão, apoiada com as costas na cama, o pé balançando nervoso de um lado para o outro. Algo naquele dia não me deixava quieta, algo estremecia sob minha pele.
Olhei de novo para o reflexo: cabelos castanhos presos de qualquer jeito em um coque alto, pele quase bronzeada pelas horas sob o sol, olhos grandes e castanhos claros, boca levemente cheia. Alta demais para a maioria das mulheres, beirava meu 1,75. Tédio. Puro tédio — era isso que eu era.
Uma voz me arrancou do transe. Levantei os olhos e vi Luke parado à porta. Ele era imenso, cobria o vão inteiro. Devia ter uns 1,90, musculoso, bonito demais, loiro de olhos verdes tão convidativos que qualquer mulher imploraria para ser consumida por ele. Mas eu não o via assim. Luke era… diferente. Uma ligação estranha, quase como um irmão.
Ele me lançou um olhar de repreensão. Revirei os olhos.
— O que você está fazendo aqui?
Ele se aproximou, o corpo enorme parando ao meu lado.
— Seu pai abriu a porta para mim. E você… o que faz no chão?
Dei de ombros. Ele suspirou.
— Devíamos fazer alguma coisa. Hoje é seu aniversário, Kallista. Dezenove anos não se comemoram jogada no chão.
Gemendo, joguei a cabeça para trás.
— Isso pouco importa pra mim.
Ele ergueu uma grade de cervejas e riu quando suspirei, levantando-me. Descemos juntos até a varanda, sentamos lado a lado e começamos a beber em silêncio.
— Se for pra ficar calada e se autodepreciando, eu vou embora.
Ri sem humor.
— Então vai.
Ele me empurrou com o ombro, arrancando de mim um sorriso involuntário.
— O que está acontecendo? Por que você está assim?
Dei de ombros.
— Estou mal. Parece que vou explodir… ou voar na cara de alguém.
Ele me olhou preocupado. Sorri, tentando aliviar.
— Deve ser pressão da faculdade. História não é fácil, e o TCC está me matando. Nem comecei ainda.
Luke desviou o olhar, quase triste, mas voltou a beber sem dizer nada. Suspirei.
— Às vezes eu só preciso transar um pouco, quem sabe.
Ele engasgou com a cerveja, me fazendo rir alto. Limpou a boca com o dorso da mão, rindo também.
Foi então que ouvi o farfalhar das folhas secas no quintal. O som se quebrou como um aviso. Olhei na direção, esperando ver meu pai ou minha mãe. Mas não era.
Era… a porra de um imenso lobo.
Devia ter uns cinco metros de altura. Meu Deus… aquilo era real? Olha o tamanho daquele monstro. Meus dedos cravaram na madeira da soleira, meu corpo estagnou. Não conseguia reagir. O tremor tomou conta de mim de forma tão violenta que parecia que meus ossos iam se partir.
Não se mexer. Era isso que diziam quando se via um lobo, certo? Mas porra… isso era pra lobos normais, não para um gigante que parecia saído de um pesadelo. O que eu faria? Pensa, pensa, pensa…
Por um instante, até esqueci que Luke estava ao meu lado. Olhei devagar para ele, tentando não chamar atenção do animal. E… mais que cassete… ele estava terminando a cerveja dele? Tinha um lobo imenso diante de nós e Luke parecia quase entediado.
— Luke… o que a gente faz? — sussurrei, o maxilar travado, a voz fraca e trêmula.
Ele suspirou, se levantando com calma. Ótimo. Agora íamos virar manchete: “Dois jovens idiotas morrem porque o idiota maior resolveu enfrentar um lobo gigante.”
Mas o lobo não se moveu como eu esperava. Não se sentiu ameaçado. Pelo contrário. Seus olhos castanhos, enormes, pareciam… humanos. Eles se voltaram para Luke e depois para mim. Então, num gesto impossível, o lobo fez algo parecido com uma reverência.
Olhei para Luke, assustada. Ele trincava o maxilar e cerrava os punhos.
Uma voz grossa e alta ecoou dentro da minha cabeça: “Vossa Majestade.”
O susto daquela voz me fez recuar, ainda sentada, batendo contra a parede da varanda. Aquilo… aquela voz era do lobo?
O animal me observou, depois voltou o olhar para Luke.
— Ela ainda não sabe, Fenry. — Luke finalmente falou, a voz sombria.
O lobo bufou, o som grave vibrando no ar. “Pois você tem até amanhã de manhã para explicar à nossa princesa. Ela corre risco. Amanhã eu e Daemon voltamos para buscá-la em segurança.”
E então, tão rápido quanto apareceu, o lobo desapareceu.
Eu ainda tremia como vara verde, caída no chão da varanda. A cerveja ameaçava voltar pela garganta. Luke me encarava com olhos mais sombrios do que eu jamais tinha visto nele.
— Vamos entrar. A noite vai ser longa.
Os dias se passaram, e o silêncio dos clãs me assustava. Não era nada bom. O feérico — o “lindinho” que conversava comigo pelo diário — me disse que até o momento não tinham mandado nenhum pedido para eles, e que eu devia ficar atenta, porque esse silêncio era estranho.Estava deitada na cama lendo um livro, enquanto Hanna escrevia algo que devia ser lição das aulas, e Zara folheava outro livro ao lado dela. O salto repentino na janela fez nós três pularem. Eu já estava em posição de defesa quando vi quem era.— Porra, Skye, tem porta no nosso quarto. — reclamou Zara atrás de mim.Ele entrou sem pedir. — Sai. — falei sem dar brecha.— É urgente. — disse, e fiquei rígida.— Não podiam me ver entrar aqui. — esclareceu ele para Zara.— E por que caralho você está aqui? — perguntou Hanna, irritada.— Porque a lua cheia está chegando. Com certeza veio nos convidar para o casamento dele. — disse com ironia.Skye me segurou pelos ombros, a voz carregada de urgência: — Me escuta. Os clãs vão f
Fechei a porta do quarto atrás de mim e me joguei na cama, mas não consegui descansar. A raiva e a dor ainda estavam ali, latejando. Não queria me deixar levar por esses pensamentos, então me levantei e fui até a escrivaninha. Abri o diário, respirei fundo e escrevi:"Foi você, né? Que falou comigo mais cedo? Pela minha cabeça?"Esperei alguns minutos, o silêncio quase me sufocando, até que a resposta surgiu: "Sim, fui eu."Um sorriso escapou, mesmo com o coração apertado. Peguei a caneta novamente: "Como fez aquilo? Digo, de se comunicar assim comigo?"A resposta veio rápida, mas curta: "É complicado."Sorri sozinha, mordendo o lábio. "Esqueci, lindinho, que você é misterioso."Demorou alguns segundos, e então as palavras apareceram na página: "Vai teimar com esse negócio de lindinho, né, coisinha?"Ri baixinho, sentindo o peso da noite se aliviar um pouco. Pela primeira vez desde a assembleia, meu peito não parecia tão sufocado.A caneta parecia pesar na minha mão, mas escrevi mesmo
Saí pelo corredor o mais rápido que pude, o coração ainda martelando no peito depois de enfrentar Vladimir e encerrar a assembleia. Daemon e Fenrys vinham logo atrás de mim, e eu só queria distância daquele salão sufocante.— “Declaro essa assembleia encerrada.” — Fenrys me imitou com sarcasmo, rindo. — Vladimir deve ter ficado puto com isso.Reprimi a risada, mas não resisti a provocar: — Achei que você ia ficar puto com isso.Ele deu de ombros. — Fico puto só quando você é insolente comigo. Com os outros, eu tô pouco me lixando.Acabei rindo de verdade, mas a risada morreu quando ouvi alguém gritar atrás de nós.— Kalli!Reconheci a voz. Skye. Ele parecia ter corrido da assembleia até ali.Fenrys rosnou, os olhos faiscando. — Uma palavra sua e eu arrebento ele.— Acho que não precisamos chamar tanta atenção. — pedi, tentando manter a calma.Skye nos alcançou, ofegante, os olhos mel fixos em mim. — Por favor… deixa eu explicar tudo.Tentei ignorar a sensação de borboletas no estômago
O salão da assembleia estava carregado de tensão. Os líderes dos clãs e das alcateias se posicionavam em seus lugares, e o silêncio era quebrado apenas pelo som das vozes graves dos anciões. Eu me sentei, as unhas se enterrando no banco de madeira, tentando conter a raiva e o medo. Pela visão periférica, vi Skye. Claro, ao lado da noiva e dos pais. Respirei fundo. Não podia demonstrar fraqueza. Foi então que Vladimir se levantou, a voz cortante ecoando pelo salão: — Exijo que a princesa Kallista nos forneça uma amostra de sangue. Precisamos confirmar se ela realmente é uma tríbida. Meu coração disparou, mas mantive o olhar firme. Não podia recuar. — Não. — foi só isso que saiu da minha boca. — Não? — Vladimir ergueu a sobrancelha, irritado. — É, foi isso que eu disse. Não. — respondi seca, encarando-o. Ele se inclinou para frente. — Acho que a princesa não está entendendo… Levantei-me, firme. — Não, eu estou entendendo muito bem. Estão me tratando feito bicho. Ele recuou um pas
Último capítulo