Aurora Mancini
Eu passei a semana inteira fingindo que meu coração era uma pedra. Acordei cedo para reuniões, alinhei números, cortei propostas que não faziam sentido.
Fui a jantares com investidores, usei vestidos que comunicam poder, bati o martelo em decisões difíceis. Tudo perfeito na superfície. Por dentro, um terremoto.
Quando a cidade dorme, a verdade desperta. Eu cruzava o corredor da cobertura e sentia o meu corpo reagir ao vazio, como se aquele espaço entre a sala e a varanda tivesse um perfume que não era meu.
Às vezes eu parava, com a mão na maçaneta do meu quarto, e me pegava pensando nos olhos de Aleksei. Eu odiava essa fraqueza. Odiava mais ainda a necessidade de fingir que não existia.
Na sexta, a máscara cansou antes de mim. Desliguei o notebook e fiquei olhando a tela preta que me devolvia o meu rosto. Não era a Ceo. Não era a dominadora.
Era a mulher que eu evito quando não quero me machucar. Uma mulher com saudade de algo que mal começou.
Peguei o celular. O meu