O céu de Lisboa parecia conspirar com o caos que se instalava no coração de Luiza. As nuvens cinzentas pendiam baixas, espessas, como se fossem testemunhas silenciosas de tudo o que ela sentia: raiva, dor, humilhação, confusão. Ela estava sentada na varanda do apartamento da mãe, os olhos fixos no Tejo, mas a paisagem não acalmava nada. Não podia.
O livro estava sobre a mesa da sala, a capa brilhando como uma provocação silenciosa. Cada página folheada era uma lâmina cravando-se na sua memória.