Mundo ficciónIniciar sesiónRenata aprendeu cedo que amar um homem poderoso podia custar caro. Secretária dedicada, ela se entregou a Erick Monteiro, seu chefe frio, ambicioso e dono de uma empresa construída sobre segredos. Mas, quando descobre que está grávida, espera encontrar nele proteção. Em vez disso, recebe rejeição, desconfiança e uma ordem cruel: desaparecer antes que sua gravidez destrua a imagem perfeita dele. Sozinha, ferida e carregando no ventre a prova de uma noite que Erick insiste em negar, Renata tenta reconstruir a própria vida longe do homem que quebrou seu coração. Só que o passado não aceita ficar enterrado. Ao descobrir que foi manipulado por inimigos que queriam separá-los, Erick decide recuperar tudo que perdeu — inclusive Renata. Mas ela já não é a mesma mulher. Entre desejo, mágoa e obsessão, ele terá que provar que merece ser pai… e talvez, seu amor.
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Eu deveria ter ido embora. Essa foi a primeira coisa que pensei quando acordei entre lençóis que não eram meus, com o cheiro de Erick Monteiro grudado na minha pele como uma marca invisível. A cidade ainda dormia do outro lado da janela enorme do apartamento dele. Lá embaixo, os carros pareciam pontos de luz cortando a madrugada, mas ali dentro tudo estava parado. Pesado. Quente demais. Meu vestido estava jogado perto da porta. O salto, perdido ao lado do sofá. Minha bolsa, aberta sobre a mesa de centro, como se até ela tivesse sido arrancada da minha mão no meio daquela loucura. E Erick… Erick dormia de bruços, com o lençol cobrindo parte do corpo, o cabelo escuro bagunçado e a expressão menos cruel do que eu estava acostumada a ver no escritório. Sem terno, sem gravata, sem aquela postura de homem inalcançável, ele parecia quase humano. Quase. Meu coração apertou. A noite anterior voltou em pedaços: a festa da empresa, os olhares atravessados, a mão dele tocando minha cintura quando um investidor bêbado se aproximou demais. A voz baixa no meu ouvido: — Você quer ir embora, Renata? Eu deveria ter dito sim. Mas disse: — Com você? Foi ali que tudo desandou. No elevador, o silêncio entre nós tinha mais perigo do que qualquer palavra. Erick ficou parado na minha frente, olhos escuros presos nos meus, como se estivesse travando uma guerra interna. Eu também estava. Porque ele era meu chefe. Porque ele era frio. Porque homens como Erick Monteiro não pertenciam a mulheres como eu. Mas quando ele me beijou, todas as minhas razões morreram na minha boca. Foi um beijo de tirar o chão. Possessivo, faminto, desesperado. Como se ele tivesse guardado aquilo por tempo demais e agora não soubesse mais fingir indiferença. Suas mãos seguraram meu rosto com uma firmeza que me assustou e me fez desejar mais. — Diz que não quer — ele sussurrou contra meus lábios, a respiração pesada. — Diz agora, Renata, e eu paro. Eu tremi inteira. — Eu quero. A confissão pareceu quebrar alguma coisa dentro dele. Depois disso, a noite virou fogo. Erick me tocou como se eu fosse uma tentação e uma condenação ao mesmo tempo. Cada beijo dele tinha gosto de perigo. Cada vez que seu corpo se aproximava do meu, eu sentia que estava atravessando uma linha da qual nunca conseguiria voltar. Ele me levou para aquele quarto escuro, iluminado apenas pelas luzes da cidade, e ali deixou cair a máscara de chefe perfeito. Não houve frieza. Não houve controle. Só nós dois, a chuva batendo no vidro, a respiração se misturando, os dedos dele entrelaçados nos meus como se, por algumas horas, eu tivesse sido mais do que sua secretária. Mais do que uma funcionária invisível. Como se eu tivesse sido escolhida. E essa era a parte que doía. Porque agora, olhando para ele adormecido, eu sabia que a manhã cobraria o preço. Levantei devagar, tentando não acordá-lo. Meu corpo ainda guardava lembranças da intensidade dele, mas minha cabeça já gritava que aquilo tinha sido um erro. Um erro lindo. Um erro quente. Um erro capaz de me destruir. Peguei meu vestido do chão e o vesti com mãos trêmulas. Procurei meus brincos, prendi o cabelo de qualquer jeito e respirei fundo antes de olhar para trás. Erick se mexeu na cama. Meu coração disparou. — Vai fugir? — a voz dele saiu rouca, baixa, perigosa. Fechei os olhos por um segundo. — Vou embora. Ele se sentou devagar, o lençol caindo até a cintura. O olhar dele me alcançou como uma ordem silenciosa. — Sem dizer nada? Ri sem humor. — O que você quer que eu diga? Que foi um erro? A mandíbula dele endureceu. — Foi? A pergunta me atravessou. Eu queria ser forte. Queria dizer que sim, que aquilo não significava nada. Mas a verdade queimava na minha garganta. — Não sei. Erick levantou, vindo até mim com aquela presença que diminuía o espaço ao redor. Parei de respirar quando ele tocou meu queixo, obrigando-me a encará-lo. — No escritório, nada muda — ele disse. A frase caiu como gelo. Afastei o rosto. — Claro. Eu continuo sendo sua secretária. E você continua sendo meu chefe. Algo passou pelos olhos dele. Culpa? Medo? Arrependimento? Sumiu rápido demais para eu ter certeza. — Renata… — Não precisa explicar. Peguei minha bolsa e caminhei até a porta antes que minha coragem evaporasse. Mas, quando coloquei a mão na maçaneta, senti uma pontada estranha no peito. Como se parte de mim estivesse ficando ali, naquele apartamento, entre lençóis amassados e promessas que nunca foram feitas. — Isso não pode se repetir — falei sem olhar para trás. O silêncio dele respondeu por tudo. Saí antes que ele me impedisse. Horas depois, no banheiro da empresa, encarei meu reflexo no espelho. Batom retocado. Cabelo preso. Camisa alinhada. A Renata de sempre. Mas meus olhos estavam diferentes. E quando senti uma onda súbita de enjoo subir pela garganta, apoiei as mãos na pia fria, tentando respirar. Algo dentro de mim mudou naquela noite. Eu só ainda não sabia o quanto.ErickO conselho tinha cheiro de café caro, couro envelhecido e traição bem vestida.Eu entrei na sala às nove em ponto, mas todos já estavam sentados. Aquilo, por si só, era um aviso. Normalmente, esperavam por mim. Naquele dia, pareciam ter ensaiado a cena: homens e mulheres de expressão fechada, tablets sobre a mesa, pastas alinhadas, olhares que desviavam quando os meus encontravam os deles.No centro da mesa, Marcelo Viana sorria.Devagar.Como quem já sabia o final antes da reunião começar.— Erick — ele cumprimentou, com falsa cordialidade. — Que bom que conseguiu vir.Parei atrás da minha cadeira.— Minha empresa. Minha sala. Minha reunião. Eu sempre venho.O sorriso dele diminuiu, mas não sumiu.Sentei-me à cabeceira. Meu lugar. Meu território. Ainda assim, pela primeira vez em anos, senti como se alguém tivesse mexido nas paredes enquanto eu não olhava.Álvaro, meu diretor financeiro, evitou me encarar. Helena estava à minha direita, impecável, fria, com os dedos cruzados so
Renata O mundo não ficava mais gentil só porque uma mulher estava grávida.Eu descobri isso cedo demais.Naquela manhã, acordei antes do despertador, com o estômago embrulhado e uma dor leve nas costas. O apartamento ainda estava escuro, a janela da sala coberta por uma cortina fina que deixava passar o barulho da rua. Moto acelerando. Cachorro latindo. Gente saindo para trabalhar.A vida seguia.E eu precisava seguir também.Sentei na beirada da cama, levando a mão à barriga. Ainda pequena, quase discreta, mas para mim já era o centro do mundo.— Bom dia, meu amor — murmurei, com a voz rouca de sono. — Hoje a mamãe vai tentar de novo.Mamãe.A palavra me dava medo e força ao mesmo tempo.Levantei devagar, tomei banho, prendi o cabelo e vesti a única calça social que ainda fechava sem me apertar. Passei base para esconder as olheiras, batom claro para fingir disposição e encarei meu reflexo no espelho rachado do banheiro.Eu parecia cansada.Mas não derrotada.Peguei a pasta com curr
Erick A empresa nunca tinha parecido tão silenciosa.Era ridículo pensar isso, porque a Monteiro Holdings continuava funcionando como sempre. Telefones tocavam, saltos batiam no mármore, impressoras engasgavam documentos, diretores falavam alto demais nas salas de reunião e assistentes corriam com tablets nas mãos, tentando parecer indispensáveis.Tudo estava no lugar.Menos ela.E o que me irritava era justamente isso: a ausência de Renata não fazia barulho, mas preenchia cada canto como uma acusação.Entrei na minha sala às sete e meia da manhã e parei por um segundo antes de alcançar a mesa. Não havia café esperando. Não havia agenda organizada em cima do couro escuro. Não havia a caligrafia dela em post-its discretos, avisando sobre reuniões que eu fingia lembrar sozinho.Havia apenas uma assistente nova, nervosa, em pé perto da porta, segurando uma pasta contra o peito como se eu fosse um carrasco.— Senhor Monteiro, sua reunião com os investidores foi antecipada para as nove.O
Renata O apartamento novo tinha cheiro de tinta velha, parede úmida e recomeço forçado.Ficava no terceiro andar de um prédio simples, sem elevador, numa rua estreita onde os carros passavam buzinando e as janelas dos vizinhos pareciam sempre abertas demais. A cozinha era pequena. O quarto mal cabia minha cama, uma cômoda antiga e duas malas com roupas dobradas às pressas. A sala tinha um sofá usado, comprado de segunda mão, e uma cortina fina que balançava quando o vento entrava pelas frestas.Não era bonito.Não era confortável.Mas era meu.E, naquele momento, longe da Monteiro Holdings, longe dos corredores de vidro, longe do olhar frio de Erick, isso bastava.Apoiei as duas mãos na barriga, ainda discreta sob o vestido largo, e respirei fundo.— A gente vai conseguir — sussurrei.Minha voz saiu baixa, quase frágil. Mesmo assim, era promessa.As semanas depois da demissão tinham passado como uma tempestade sem trovões. Tudo doía em silêncio. A ausência de emprego, as contas empil





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