Lisboa tem um tipo de silêncio que parece conversar com a gente.
Não é o mesmo silêncio do quarto onde eu chorava à noite, nem o da minha antiga casa — aquele carregava lembranças demais. Este é diferente. É um silêncio cheio de passos apressados, de buzinas distantes, de ondas batendo lá longe no Tejo. Um silêncio que se mistura com o som do mundo e, de algum jeito, me acalma.
Minha mãe já acorda melhor. O tratamento a deixa cansada, mas ela insiste em sorrir. Quer voltar à rotina, trabalhar m