Tem dias em que o silêncio pesa mais do que a saudade.
Hoje, por exemplo, tudo dentro de mim parece oco.
Lisboa está fria — não aquele frio que faz o corpo tremer, mas aquele que vem de dentro, que parece morar no peito e nos ossos. Minha mãe dorme no quarto ao lado, o som da respiração dela se mistura ao zumbido baixo do aquecedor. Desde a última sessão de tratamento, ela anda mais fraca, e eu tento sorrir pra não deixá-la perceber que tenho medo. Mas eu tenho.
E quando o medo vem, eu escrevo.