Lisboa parecia feita de sombras naquele dia.
O céu pesado, o ar frio, e o som distante dos bondes que passavam lentos pelas ruas estreitas.
Eu já devia estar acostumada com o silêncio do apartamento, mas havia algo diferente naquela manhã — um tipo de pressentimento.
O sétimo dia de tratamento da minha mãe começou com esperança.
Ela sorriu antes de sair, dizendo que se sentia mais leve, que talvez o corpo estivesse se adaptando.
Eu quis acreditar.
Mas as mãos dela tremiam quando pegou a bolsa,