Narrado por Henrique
Meus passos foram cautelosos quando entrei na outra parte do galpão, cada pisada um cálculo silencioso no chão de concreto sujo. A poeira dançava nos raios de luz que cortavam a penumbra, iluminando trilhas de um confronto recente. Então, um estampido seco. Um tiro. Meu corpo reagiu antes da minha mente, jogando-me atrás de uma coluna de ferro robusta. O metal frio contra minhas costas era um lembrete gritante da mortalidade.
E então, um som que gelou meu sangue mais que o tiro: um riso. Baixo, cínico, escorrendo deboche na escuridão. Foi quando entendi. Aquele que a Luna abateu não era o Pivô. A armadilha estava armada, e nós é que tínhamos caído nela.
Ele estava aqui. Dentro do galpão, com vários de seus homens.
A troca de tiros que se seguiu foi intensa. O estalo das nossas armas, e das deles, o grito abafado de um homem atingido. A luz dos fogos cruzados iluminava cenas breves de pesadelo. Mas somos treinados para o caos. Aos poucos, impondo nossa disciplina