Narrado por Henrique
Quando Anita entrou no carro, notei que ela estava um pouco nervosa durante boa parte da viagem, ela ficou calada e raramente me encarava.
Quando o fazia, mordia levemente os lábios, e esse simples gesto estava quase acabando com o último resquício de sanidade que me restava.
“Por Deus, coisinha pequena, não faça isso comigo!” — pensei mentalmente.
Ela tirou os óculos e encostou o braço no banco. Suspirei tão pesadamente que a assustei, e ela passou a me encarar. Sem tirar os olhos do trânsito, perguntei:
— Costuma dar aulas sempre assim?
— Assim como? — perguntou Anita, meio sem entender.
— Fazendo gestos tão... sensuais? — falei, um pouco provocativo.
— Desculpe, delegado, não entendi…
— Você sabe que é linda, não sabe, Anita?
— Eu sou? Eu não sa…
Não a deixei continuar. Com um tom aborrecido, disse:
— Não seja tão modesta, senhorita Jeong! Agora entendo por que seu aluno está tão interessado em você!
Ela piscou algumas vezes, franzindo o cenho:
— Ainda não en