O amanhecer chegou sem alarde, como se respeitasse o cansaço que ainda morava na casa. A luz entrou devagar pelas frestas das janelas, desenhando linhas suaves no chão de madeira. A fazenda despertava com passos contidos, galinhas ciscando sem pressa, o gado mugindo baixo — a vida seguindo, apesar de tudo.
Isabella acordou primeiro. Demorou alguns segundos para lembrar onde estava, até que o cheiro do quarto, o armário antigo, a colcha simples trouxeram tudo de volta de uma vez. Sentou-se na cama, respirou fundo e deixou que a dor viesse — não como um golpe, mas como uma maré. Ela não lutou contra. Aprendera, com o avô, que resistir ao que é inevitável só cansa mais.
Levantou-se, lavou o rosto, prendeu o cabelo num coque simples. Olhou-se no espelho por um instante a mais do que de costume. Havia marcas novas ali — olhos mais fundos, uma firmeza silenciosa no olhar. Não era endurecimento, era amadurecimento.
Quando saiu para a varanda, encontrou Rafael já acordado, sentado nos degraus