O dia nasceu devagar, tingindo de dourado as janelas do hospital. O sol entrava tímido, como se não quisesse interromper o que havia se moldado entre Isabella e Rafael durante a madrugada. A mão dela ainda repousava sobre a dele, e nenhum dos dois teve coragem de soltar primeiro. Foi a porta rangendo que os despertou. Logo após, o médico entrou seguido por uma enfermeira, revisando papéis com expressão séria demais para aquela manhã tão frágil.
— Bom dia! — disse, sem perceber a carga emocional no quarto — Vamos avaliar seu Anselmo. Ele passou uma boa noite?
Isabella assentiu, mas a voz não saiu.
— Dormiu quase toda a madrugada. — respondeu, Rafael.
O médico refez todos os testes físicos e ausculta com cuidado e atenção, ao terminar, guardou o estetoscópio no pescoço e respirou fundo.
— Ele estabilizou. Isso já é um bom sinal. — disse, com calma medida — Mas ainda não podemos prever o quadro a longo prazo, é preciso cautela.
Isabella sentiu o chão se mover. Rafael tocou sua mão discre