Rafael ficou em silêncio depois da fala de Seu Anselmo. Não era um silêncio vazio — era o tipo que antecede algo definitivo. Ele sentiu o peso da decisão escorrer pelo corpo, como se cada lembrança, cada medo e cada sonho tivessem finalmente encontrado o mesmo ponto de encontro.
Ele saiu do quarto outra vez, mas agora não havia correria no passo. Caminhou até o final do corredor, onde a janela dava para fora do hospital. Lá fora, o céu começava a abrir pequenas frestas de azul, tímidas, mas insistentes. Como a própria vida. Pegou o celular. O número do produtor ainda estava ali, como uma porta aberta para um mundo que ele conhecia bem — promessas, palcos, aplausos e ausências. Chamou.
— Então? — a voz veio rápida, sem rodeios — Já decidiu?
Rafael respirou fundo. Pela primeira vez em muito tempo, não sentiu o nó no peito. Sentiu clareza.
— Decidi.
— Ótimo. Te espero amanhã cedo em São Paulo. Já mandei as passagens.
Rafael fechou os olhos por um instante e então sem rodeios, reafirmou s