A madrugada avançou lenta, com o hospital inteiro mergulhado naquele silêncio cheio de máquinas e respirações medidas. Isa ficou sentada na poltrona ao lado da cama do avô, enquanto Rafael ajeitava o casaco no chão para improvisar outro travesseiro.
— Rafa... — chamou baixinho, para não acordar Seu Anselmo.
Ele ergueu o rosto.
— Hum?
— O que você vai dizer ao produtor amanhã?
Rafael suspirou devagar, como quem procurava as palavras certas para que não ferissem nenhum dos dois.
— Eu acho que, depende do que acontecer com seu avô. Não vou embora se ele piorar.
Isa balançou a cabeça.
— Eu sei. Mas e se ele melhorar? E se der tudo certo? — ela respirou mais fundo — E se a gente tiver que lidar de verdade com o que sente?
Essa era a pergunta que, até então, ambos tinham evitado com todo cuidado do mundo.
Rafael se aproximou e se sentou na beira da poltrona, perto demais, mas não o suficiente para tocá-la.
— Isa, quando eu fui embora da primeira vez, eu era um garoto perdido. Fugindo dos me