Os dias que vieram depois do primeiro aniversário de Clara não tiveram nada de extraordinário — e talvez por isso mesmo tenham sido tão importantes. A fazenda voltou ao seu ritmo habitual, como quem recolhe as bandeirinhas depois da festa e guarda, junto com elas, a alegria que não precisa mais ser exibida para existir.
Clara começou a ocupar a casa de um jeito novo, não apenas com brinquedos espalhados ou risadas inesperadas, mas com presença. Havia passos pequenos ecoando pelos corredores, mãos curiosas abrindo gavetas, balbucios que surgiam no meio do silêncio da tarde como pequenas revelações.
Isabella observava tudo com atenção tranquila. A maternidade já não era susto nem novidade — era prática, era gesto repetido, era amor que se exercitava nos detalhes. Aprendera a reconhecer o choro que pedia colo, o que pedia sono, o que era apenas frustração por não alcançar algo alto demais.
Naquela manhã, sentou-se no chão da sala com Clara entre as pernas, mostrando-lhe um livro de figur