A manhã começou com um barulho diferente no terreiro — não alto, não urgente, apenas constante. Isabella levou alguns segundos para perceber que não vinha dos animais nem do vento, era música. Abriu a janela do quarto e encontrou Rafael sentado no degrau da varanda, o violão apoiado no joelho, tocando com cuidado, como quem conversa em voz baixa. Clara estava sentada ao lado dele, de pijama, batendo as mãos no ritmo que inventava. Isabella sorriu antes mesmo de sair da cama.
Quando se aproximou, Rafael ergueu o olhar.
— Acordei com uma melodia presa aqui. — disse, tocando o peito — E ela não quis ir embora sozinha.
— Então trouxe reforço. — Isabella comentou, sentando-se no chão ao lado deles.
Clara virou pra mãe, abriu um sorriso grande demais para o rosto pequeno e soltou um som animado.
— Ma-ma!
Isabella sentiu o coração falhar por um segundo, depois voltar ainda mais forte.
— Você ouviu isso? — ela perguntou, a voz trêmula.
Rafael largou o violão no chão e puxou a filha para o col