A fazenda acordou em festa naquele domingo. Não era barulho nem excesso — era outra coisa, mais profunda. Uma vibração mansa, como se a terra soubesse que celebraria algo que ultrapassava datas e rituais. O céu estava limpo, azul aberto, e o vento corria leve entre as árvores, espalhando o cheiro de bolo assando e café fresco.
Isabella abriu o guarda-roupa antigo do quarto ainda cedo. Demorou alguns segundos antes de tocar na caixa de madeira guardada na prateleira mais alta. Quando a puxou, o rangido suave pareceu ecoar mais alto do que deveria. Levou a caixa para a cama e abriu devagar, como se abrisse também um pedaço do passado. Ali estava o mandrião. Branco, simples, delicado. O tecido não era mais novo, mas estava intacto — preservado com o mesmo cuidado com que se preserva algo que carrega memória. Isabella passou os dedos pelo bordado discreto na gola, sentindo o nó se formar na garganta.
— Foi com ele que você me apresentou ao mundo… — murmurou, quase para si mesma.
Dona Lour