Narrado por Leonid Raskolnikov
Minha avó permaneceu em silêncio por um longo momento, seus olhos fincados em Zalea como lâminas que buscavam não carne, mas essência. Ela não era mulher de elogios fáceis. Cada palavra que deixava seus lábios era medida, pesada como chumbo. E, quando falou, sua voz cortou o ar com uma solenidade quase sagrada:
— Vejo o mesmo fogo que sua mãe tinha nos olhos.
Houve um silêncio espesso. Aquilo não era um elogio. Era um presságio.
— Esse fogo pode te salvar… — conti