A primeira coisa que Lyria sentiu quando ficou sozinha não foi medo.
Foi silêncio.
O tipo de silêncio que não existe na vida comum.
O tipo de silêncio que existe quando o mundo inteiro prende o fôlego para ver se você cai.
Kael e Elyon tinham sido arrancados como se fossem fios cortados. E o pior não era não vê-los. O pior era sentir, de repente, o vazio da ausência deles dentro do peito, como se alguém tivesse arrancado a âncora e deixado o corpo da alma flutuando.
Lyria respirou fundo.
O fragmento no peito dela pulsou.
Ela ouviu a própria respiração ecoar na clareira.
O Primordial ficou imóvel. A fenda no céu permanecia aberta, como um olho.
“Agora.”
A voz falou.
“Mostra.”
Lyria fechou os olhos por um instante e tentou localizar Kael e Elyon. Sentiu algo, muito distante, como um cheiro no vento. Não era localização no espaço. Era localização no vínculo.
Ela abriu os olhos.
— Onde eles estão?
O Primordial respondeu:
“Não importa.”
— Importa pra mim.
“Isso é o que te enfraquece.”
Lyri