O silêncio daquela manhã não era comum.
Não era ausência de som — era contenção.
Luna percebeu isso antes mesmo de abrir os olhos. O ar parecia suspenso, como se o mundo estivesse prendendo a respiração à espera de algo inevitável. O vento não entrava pelas frestas da janela. As folhas lá fora não se mexiam. Até os pássaros pareciam ter feito um pacto de quietude.
Ela se levantou devagar, sentindo o peso do próprio corpo como se tivesse atravessado uma noite inteira em guerra. Não havia lembranças nítidas de sonhos — apenas a sensação de ter caminhado por corredores escuros, guiada por uma voz que não chamava, mas exigia presença.
No espelho, seu reflexo devolveu um olhar mais firme do que o de dias atrás. Algo havia se rearranjado dentro dela. Não era coragem recém-descoberta — era aceitação.
Luna sabia: não dava mais para fingir neutralidade. Não havia mais espaço para observar de fora. O que estava por vir exigia posicionamento, entrega e consequência.
O contrato assinado — aquele