Entrar no Abismo não foi como atravessar uma porta.
Nem como cair.
Nem como morrer.
Foi como ser dissolvida em consciência, sem perder o corpo.
Como se ela existisse inteira e quebrada ao mesmo tempo.
Lyria abriu os olhos — ou algo equivalente a abrir os olhos dentro do que não tinha luz.
E viu…
Nada.
Mas não um “nada vazio”.
Era um nada transbordando.
Um nada que parecia conter memórias de mundos que nunca nasceram, ecos de vidas que nunca tiveram corpo, fragmentos de pensamentos que ninguém nunca pensou.
E então ela ouviu um som.
Vindo de todos os lugares.
E de nenhum.
Uma voz que não parecia falar com os ouvidos, mas com a alma:
“Lyria.”
Lyria engoliu seco.
— Eu não tenho medo de você.
A voz riu.
Não como riso humano.
Como desabamento.
“Você deveria.”
A escuridão se contorceu.
E no centro dela algo começou a tomar forma.
Não humano.
Não animal.
Não sombra.
Uma forma que lembrava um corpo — mas não ficava parada, flutuando entre possibilidades, como se não tivesse decidido que