A neve se abriu como se alguém tivesse rasgado o próprio mundo.
A voz atravessou o vento — viva, desesperada, real demais para ser Ilusão:
“LYRIAAAAA!”
Lyria virou-se na hora, o coração subindo à garganta.
A neve girou.
A escuridão vibrou.
As três versões dela desapareceram como fumaça.
E então…
uma figura surgiu correndo pela tempestade.
Primeiro a silhueta.
Depois o brilho azul.
Depois os olhos.
KAEL.
Mas não Kael criança.
Não Kael do Julgamento.
Kael AGORA.
Ferido.
Ensanguentado.
Ofegando.
Mas vivo.
Real.
Chamando por ela.
— LYRIA! — ele gritou, tropeçando na neve — ONDE VOCÊ ESTÁ?!
Lyria correu instintivamente em direção a ele.
— Kael! Eu tô aqui! EU TÔ AQUI!
A distância entre eles parecia se esticar, como se o Julgamento tentasse impedir.
Mas Kael empurrava o mundo com pura vontade.
Ele alcançou ela, agarrou pelos ombros e a puxou para si.
— Você… sumiu… eu senti você sumir de novo… — a voz dele quebrava em cada palavra — …eu pensei que tinha te perdido.
Lyria apertou