Mundo ficciónIniciar sesiónLyra Ashbourne acreditava que encontrar seu companheiro destinado seria o início de um conto de fadas. Em vez disso, foi rejeitada publicamente no meio do salão real pelo homem que deveria protegê-la: Kael Blackthorn, o temido e implacável Rei Alfa. Enquanto todos na alcateia acreditam que a história daquela ômega comum terminou no dia de sua humilhação, Lyra descobre que sua rejeição fazia parte de uma conspiração política muito maior, orquestrada nas sombras pelo Conselho da Lua. Agora, segredos enterrados há séculos começam a vir à tona. Os Sete Reinos caminham a passos largos para uma guerra inevitável, e a mulher que foi pisoteada retornará com uma fúria antiga para reivindicar um destino que ninguém ousou imaginar.Ele escolheu a coroa. Ela foi escolhida pelo destino. Porque ela nunca nasceu para ser apenas uma Luna... nasceu para mudar o destino de todos os Reis Alfas.
Leer másO cheiro de lavanda e camomila seca sempre tivera o poder de acalmar o ambiente, mas naquela tarde o ar parecia pesado, carregado com a eletricidade que antecede uma tempestade. As mãos de Lyra Ashbourne tremeram levemente enquanto ela macerava as folhas de calêndula no pilão de pedra. Na sua nuca, logo abaixo do emaranhado de seus longos cabelos castanhos, a pele queimava.
A sensação daquela marca em forma de lua crescente, que ela escondia de todos desde menina, estava mais intensa do que nunca. Quente como brasa. — Outro sonho, Lyra? — a voz rouca de Thomas, o curandeiro da Alcateia Blackthorn, quebrou o silêncio da cabana de madeira. Lyra olhou para o pai, tentando disfarçar as olheiras e o cansaço que pesava em seus ombros. Pelo terceiro dia consecutivo, ela havia acordado sufocada, com o coração batendo na garganta. No sonho, o mesmo grande salão de pedra escura se erguia diante dela, cercado por sete tronos majestosos vazios, esculpidos em ossos e ouro. Uma voz profunda, que fazia sua própria alma vibrar, ecoava das sombras, chamando seu nome. Não era um chamado carinhoso; era uma convocação. — Apenas o cansaço da colheita da última lua cheia, pai — mentiu a jovem, oferecendo-lhe um sorriso terno enquanto limpava o suor da testa com as costas da mão. Aos vinte e dois anos, Lyra era vista apenas como uma ômega comum. Não possuía linhagem de guerreiros poderosos, nem uma loba dominante que pudesse rosnar de volta para os opressores. Seu único papel naquele reino implacável era costurar feridas e aliviar as dores alheias. Uma curandeira comum. Ela sabia que não deveria sonhar com tronos, muito menos com coroas. Na hierarquia rígida dos lobisomens, ômegas serviam, abaixavam a cabeça e tentavam sobreviver. Antes que Thomas pudesse insistir nas suas desconfianças, a pesada porta da cabana foi aberta abruptamente, batendo contra a parede de madeira. O vento frio da floresta invadiu o ambiente, trazendo consigo um aroma que qualquer curandeiro reconheceria à distância: o cheiro metálico e aterrorizante de sangue fresco.Um jovem guerreiro lobo entrou cambaleando, carregando um companheiro ferido nos braços. Suas roupas de couro estavam rasgadas por marcas de garras profundas. — Lyra! Thomas! Precisamos de ajuda, as patrulhas da fronteira norte foram atacadas! — o guerreiro gritou, deitando o corpo sangrando do companheiro na maca de madeira central. O cansaço e os sonhos desapareceram da mente de Lyra na mesma hora. Instinto e dever assumiram o controle de seu corpo. Ela correu em direção ao lobo ferido, puxando o frasco de seiva de salgueiro e as faixas de linho limpas. O homem na maca era um beta, um soldado forte, mas o corte em seu peito era assustadoramente profundo. O osso da costela estava quase exposto. — Segure os ombros dele, pai! — ordenou Lyra, sua voz perdendo qualquer traço de timidez ômega. Naquela cabana, entre a vida e a morte, era ela quem comandava.Embora a alcateia considerasse os ômegas o elo mais fraco da corrente, a verdade que os guerreiros orgulhosos tentavam ignorar era simples: sem aquelas mãos habilidosas, muitos deles não passariam daquela noite. Lyra jogou o extrato herbal diretamente sobre a ferida aberta. O soldado arqueou as costas, soltando um uivo de dor puramente animal que fez as paredes da cabana tremerem. — Quem atacou vocês? — perguntou ela, enquanto a agulha e a linha de tendão começavam a fechar a carne rasgada com rapidez cirúrgica. — Lobos sem alcateia? Rebeldes? — Não... — o guerreiro que o trouxera respondeu, limpando o sangue do próprio rosto. Seus olhos brilhavam em um amarelo instável de puro pavor. — Não eram lobos comuns. Eram assassinos. Estavam procurando por algo na fronteira. Deixaram um aviso escrito com o sangue dos nossos sentinelas... Disseram que a herdeira da profecia maldita está acordando, e que os Sete Reinos vão queimar. As mãos de Lyra congelaram por um segundo. A linha escorregou de seus dedos. A profecia. Nas tabernas e ao redor das fogueiras de Blackthorn, as crianças cresciam ouvindo as histórias assustadoras contadas pelo Conselho da Lua. Eles diziam que uma criança nasceria sob uma lua de sangue, uma abominação com o sangue da Primeira Rainha, destinada a destruir o poder dos Reis Alfas e jogar o mundo no caos. Todos os lobos odiavam essa lenda. Todos desejavam a morte dessa suposta herdeira. — Termine os pontos, Lyra — Thomas sussurrou. Sua voz subitamente tornou-se tensa e seus olhos fixaram-se na nuca da filha, onde o cabelo dela havia se afastado temporariamente. Engolindo em seco, a jovem forçou as mãos a voltarem ao trabalho. Deu o último nó no peito do beta e limpou o excesso de sangue com um pano úmido. O soldado finalmente estabilizou, sua respiração voltando ao ritmo normal enquanto a magia de cura dos lobos começava a agir junto com as ervas. Foi então que o som começou. Longe, na entrada principal da vila da alcateia, os grandes tambores de guerra feitos de couro de mamute começaram a ecoar. O som grave e rítmico vibrava pelo chão de terra, subindo pelas solas dos pés de Lyra e fazendo seu próprio peito tremer. BUM. BUM. BUM. O guerreiro que estava de pé endireitou a postura imediatamente, batendo o punho fechado contra o peito em uma saudação de respeito absoluto. Seus olhos se arregalaram de admiração. — Eles voltaram — o soldado sussurrou. — O exército real está cruzando os portões. Lyra sabia o que aquilo significava. O Rei Alfa, Kael Blackthorn, estava finalmente retornando para casa após meses inspecionando as fronteiras dos Sete Reinos. Aos vinte e nove anos, ele era o alfa mais implacável e respeitado de toda a história recente, o homem encarregado de liderar as defesas contra qualquer ameaça. Kael era conhecido por sua devoção cega ao dever, à ordem e às leis do Conselho da Lua. Ele não tolerava fraqueza. Ele não tolerava segredos.De repente, a marca na nuca de Lyra deu uma fisgada tão violenta que ela soltou um gemido baixo, deixando o pilão de pedra cair no chão. O som do objeto quebrando em vários pedaços ecoou pela cabana.Pela primeira vez em vinte e dois anos de vida, algo estranho e adormecido nas profundezas da alma da jovem se agitou. Não era o medo comum que um ômega sentia de um alfa dominante. Era um rugido interno, uma força selvagem que respondeu diretamente ao som dos tambores lá fora. A loba de Lyra, que sempre fora silenciosa e fraca, pareceu arranhar as paredes de sua mente, faminta por sair. — Lyra... — Thomas se aproximou, o rosto pálido como cera, os olhos cheios de um medo que ela nunca tinha visto nele antes. — Vista sua capa mais grossa. Esconda o cabelo. O Rei vai exigir que todos os membros da alcateia compareçam ao salão principal hoje à noite para a celebração do retorno. Você não pode deixar ninguém ver a sua nuca. Não hoje. Lyra olhou para as próprias mãos sujas com o sangue do guerreiro e depois para a porta da cabana, de onde vinham os gritos de comemoração do vilarejo. O Rei Alfa estava de volta. E, por alguma razão que ela não conseguia explicar, o coração da jovem ômega sabia que sua vida pacífica tinha acabado de morrer.A passagem escavada na rocha maciça parecia engolir a pouca luz do entardecer, mas, à medida que Lyra avançava, o ambiente começava a se transformar. O teto baixo de pedra bruta deu lugar a um corredor amplo e abobadado, sustentado por pilares antigos esculpidos com runas que Lyra nunca vira nos livros da Alcateia Blackthorn. O ar ali dentro era diferente; não tinha o cheiro úmido de uma caverna comum, mas sim um aroma fresco de terra molhada, musgo e uma energia mística que fazia os pelos de seus braços se arrepiarem. Gwyn caminhava à frente, carregando uma tocha cuja chama azulada lançava sombras longas pelas paredes. Atrás delas, o outro guardião empurrava uma maca rudimentar com rodas de ferro, onde Thomas ainda repousava inconsciente. — Onde estamos? — Lyra perguntou, sua voz ecoando suavemente pela galeria de pedra. Ela ainda precisava apoiar a mão na parede de vez em quando para manter o equilíbrio, sentindo os tremores da rejeição reverberarem em seus músculos. — Este é o S
Enquanto Lyra se embrenhava na escuridão das montanhas do norte, o grande salão de reuniões do palácio de Blackthorn ardia em uma fogueira de discussões políticas. As longas janelas góticas permitiam que a luz do fim de tarde cortasse o ambiente, iluminando os rostos tensos de três Reis Alfas vizinhos que haviam permanecido após o banquete da noite anterior. No centro da mesa redonda de carvalho, Kael Blackthorn apoiava os punhos cerrados sobre a madeira. Ele ainda vestia suas roupas militares, mas a capa estava jogada de lado. O incômodo surdo em seu peito havia se transformado em uma pontada constante, um eco persistente da rejeição que ele se recusava a reconhecer como fraqueza. Seu lobo continuava em um silêncio hostil, como um predador enjaulado que se negava a obedecer ao dono. — O ataque na fronteira norte não foi um caso isolado, Kael — declarou o Rei Alfa de Silverwood, um homem de meia-idade com cicatrizes profundas no rosto. — Meus batedores encontraram corpos mutilados p
O solavanco rústico das rodas de madeira contra as pedras da estrada fazia cada osso do corpo de Lyra Ashbourne clamar por misericórdia. Ela estava deitada de lado sobre uma pilha de sacos de estopa cheios de grãos, no fundo de uma carroça de carga coberta por uma lona gasta. O cheiro de mofo e poeira sufocava seus sentidos, mas era o vazio avassalador em seu peito que drenava sua vontade de se mover. A dor da rejeição pública de Kael Blackthorn não havia diminuído com o amanhecer; ela havia se transformado em uma queimação fria, uma âncora pesada que puxava sua loba para uma letargia profunda. Lyra tentou fechar os punhos, mas seus dedos estavam fracos. Ela, que passara a vida cuidando da dor alheia na cabana do curandeiro, agora se via incapaz de curar a própria alma.Ao seu lado, sob a penumbra da lona, Thomas repousava com a cabeça enfaixada. A respiração do velho curandeiro era pesada, mas estável. Os Guardiões haviam cuidado de seus ferimentos com ervas que Lyra mal conseguir
O sol nasceu sobre a Alcateia Blackthorn tingindo o céu de um tom pálido e frio. Kael Blackthorn não havia dormido bem. Sentado em seu escritório particular, ele encarava o mapa de patrulhas estendido sobre a mesa de madeira, tentando focar nas linhas de defesa da fronteira norte.Em seu peito, um incômodo surdo e constante latejava de forma intermitente. Era uma sensação estranha de vazio, como se faltasse ar em seus pulmões. Kael apertou o próprio esterno com o punho, irritado. Sabia que aquilo era apenas o reflexo físico da rejeição da noite anterior; o corpo de um Alfa levava dias para se reajustar após cortar o vínculo com uma parceira. Ele limpou a mente. Fora uma decisão puramente necessária. Uma ômega fraca e sem linhagem jamais sobreviveria às pressões políticas que um Rei enfrentava todos os dias. O dever vinha primeiro.A porta do escritório foi aberta após duas batidas firmes. O Comandante da Guarda, um beta robusto chamado Brandon, entrou com a postura tensa. — Majestade
Último capítulo