*Os Últimos Suspiros* A escuridão não sumiu de uma vez. Recuou devagar, como maré negra que não quer abandonar a praia. Primeiro vieram os sons. Abafados. Confusos. Um rangido metálico, repetitivo, interminável. Depois veio a dor. Intensa. Dentro dos ossos, da cabeça, do peito. Em todos os lugares. Ariana tentou respirar. O ar entrou irregular, queimando a garganta. Cheirava a combustível, sangue, ferrugem, fumaça. Abriu os olhos. A visão girava. Estava pendurada. Corpo doendo. Por segundos não entendeu onde estava. Por que doía tanto. Então a memória voltou. A explosão. Os tiros. A emboscada. O caminhão. A queda. O coração disparou. — Mãe... A voz saiu rouca, irreconhecível. Tentou se mover. Uma pontada na costela arrancou um gemido. Lágrimas vieram na hora. O cinto ainda a mantinha de cabeça para baixo. Cabelos loiros manchados de sangue e terra. O vestido de aniversário, rasgado e sujo. — Mamãe... — mais alto. Desesperado. Só o silêncio respondeu. E o som
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