Quando o Silêncio Grita
O erro cobra rápido.
Mais rápido do que ele previra.
O antagonista observa a tela com atenção clínica, mas o corpo já não acompanha a frieza da mente.
Os dedos repousam rígidos sobre a mesa, a unha do polegar pressionando a lateral do indicador até quase machucar.
Um hábito antigo.
Um sinal de contenção.
— Não era para ser assim. Murmura, para ninguém.
O plano fora concebido para assustar, não para matar.
Um aviso definitivo.
Um lembrete de que certas portas, uma vez abertas, esmagam quem tenta atravessá-las.
O problema é que Ana não reage como as pessoas costumavam reagir.
Ela não se retrai.
Ela avança.
E isso obriga a ajustes.
A casa em Vale das Rosas dorme sob um céu pesado, carregado de nuvens baixas.
O vento percorre o jardim como se ensaiasse um aviso.
Dentro, Ana fecha o último arquivo do computador e alonga os ombros, sentindo uma fisgada leve na nuca.
O corpo alerta antes da mente reconhecer o perigo.
— Rafael? chama em voz baixa.
Nenhuma resp