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Capítulo 04: Uma Notícia Indesejada

Erick

Renata entrou na minha sala como quem carregava uma sentença dentro da bolsa.

Eu percebi antes mesmo de ela dizer qualquer coisa.

Havia algo errado no jeito como seus dedos apertavam a alça, no modo como seus olhos evitavam os meus, na palidez que roubava a cor do rosto dela. Renata era boa em esconder medo. Boa demais. Mas naquela manhã, a máscara estava rachada.

— Feche a porta — ordenei.

Ela obedeceu em silêncio.

O som da porta se fechando pareceu mais pesado do que deveria. Eu estava irritado desde que ela saiu da empresa sem avisar, irritado por vê-la frágil, irritado por ainda lembrar da noite que eu vinha tentando arrancar da pele à força.

— Você sabe que não tolero sumiços durante o expediente — falei, mantendo a voz baixa.

Renata respirou fundo.

— Eu precisei resolver uma coisa.

— Durante o horário de trabalho?

— Era urgente.

A resposta veio firme, mas os olhos dela brilhavam. Aquilo me incomodou de uma forma que eu não queria admitir.

Levantei da cadeira devagar, ajeitando o paletó.

— O que aconteceu?

Ela levou a mão à bolsa, hesitou, depois tirou algo de dentro. Dois testes pequenos, brancos, com marcas vermelhas que, por alguns segundos, meu cérebro se recusou a compreender.

O mundo ficou imóvel.

— Erick… — a voz dela falhou. — Eu estou grávida.

Não.

Foi a primeira palavra que gritou dentro de mim, embora eu não a dissesse em voz alta.

Não podia ser.

Não agora. Não com a reunião do conselho marcada. Não com minha família pressionando por alianças, com meu pai me cobrando estabilidade, com minha mãe repetindo que escândalos destruíam impérios mais rápido que falências.

A imagem da noite entre nós atravessou minha mente como fogo. O corpo dela perto do meu. A forma como eu tinha perdido o controle. A única coisa que Erick Monteiro nunca fazia.

Perder o controle.

— Isso é impossível — falei.

Renata piscou, como se eu a tivesse atingido.

— Não é.

— Tem certeza?

Ela ergueu o queixo, mas eu vi o golpe entrando.

— Fiz dois testes.

— Testes de farmácia podem falhar.

— Eu vou ao médico.

— Ótimo. Vá. Confirme. Antes de colocar esse tipo de coisa na minha mesa como se fosse um contrato assinado.

A mágoa passou pelo rosto dela, rápida e dolorida.

— Eu não estou colocando nada na sua mesa. Estou contando porque você tem o direito de saber.

Direito.

A palavra deveria ter me puxado para perto dela. Em vez disso, me empurrou para o abismo da desconfiança.

O celular vibrou sobre a mesa. O nome da minha mãe apareceu na tela.

Helena Monteiro.

Eu não atendi, mas a presença dela parecia estar ali dentro mesmo assim. A voz dela ecoou na minha memória, da noite anterior, fria e calculada:

“Cuidado com mulheres que confundem desejo com oportunidade, Erick. Uma gravidez no momento certo pode virar uma arma.”

Meu pai tinha sido ainda pior:

“Se alguma funcionária tentar usar seu nome, corte antes que vire notícia.”

E, de repente, olhei para Renata e vi não a mulher que eu desejava, mas a ameaça que todos me ensinaram a temer.

— Quem mais sabe? — perguntei.

Ela franziu a testa.

— Ninguém.

— Tem certeza?

— Erick, eu acabei de descobrir.

— Conveniente.

O silêncio que veio depois foi brutal.

Renata deu um passo para trás.

— Conveniente?

Eu sabia que deveria parar. Sabia que cada palavra que saía da minha boca cavava um buraco que talvez eu nunca conseguisse fechar. Mas o medo já tinha vestido minha arrogância como armadura.

— Duas semanas depois daquela noite, você aparece na minha sala com dois testes na bolsa — falei, a voz mais dura. — O que espera que eu pense?

— Que eu estou assustada — ela respondeu, com a voz trêmula. — Que eu não planejei isso. Que eu também estou tentando entender.

— Ou que encontrou uma forma perfeita de se prender a mim.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

E eu odiei vê-las.

Odiei porque parte de mim quis atravessar a sala e segurá-la. Odiei porque a outra parte, a parte treinada pela minha família, pelo poder, pelo medo de virar manchete, só enxergava perigo.

— Você acha que eu faria isso? — ela sussurrou.

— Eu não sei do que você é capaz.

Renata respirou como se o ar tivesse sido arrancado dos pulmões.

— Então você nunca me conheceu.

— Não transforme isso em drama.

— Drama? — A voz dela subiu, quebrada, mas cheia de dor. — Eu estou grávida, Erick. Eu vim te contar tremendo de medo, e você me acusa como se eu tivesse cometido um crime.

— Eu preciso proteger meu nome.

— E eu preciso proteger meu filho!

A palavra atravessou a sala como um tiro.

Meu filho.

Por um instante, tudo dentro de mim parou. Havia um bebê. Uma vida. Uma consequência real da minha fraqueza, do meu desejo, da noite que eu não conseguia esquecer.

Mas, antes que qualquer ternura nascesse, a porta se abriu de repente.

Minha mãe entrou sem bater.

Helena Monteiro sempre fazia isso: invadia espaços como se o mundo tivesse sido construído para lhe obedecer. Elegante, fria, olhos afiados. Ela olhou para Renata, depois para os testes sobre a mesa.

Não precisou de explicação.

— Então é verdade — disse ela.

Renata ficou rígida.

— Senhora Monteiro…

— Não seja ingênua, Erick — minha mãe cortou, ignorando-a. — Isso precisa ser resolvido antes que saia daqui.

— Mãe — rosnei.

— Você sabe o que está em jogo. A empresa, o conselho, sua posição. Uma secretária grávida do próprio chefe? A imprensa vai devorar isso.

Renata recolheu os testes com mãos trêmulas.

— Eu não sou um escândalo. Sou uma pessoa.

Minha mãe sorriu sem calor.

— Pessoas também calculam.

Vi Renata empalidecer ainda mais.

E eu, covarde, não a defendi rápido o suficiente.

Ela olhou para mim, esperando. Talvez ainda houvesse ali uma esperança mínima. Uma chance para eu escolher ser homem antes de ser Monteiro.

Mas eu disse:

— Vamos confirmar primeiro. Depois discutimos medidas.

A esperança morreu no rosto dela.

— Medidas — repetiu, a voz baixa.

— Renata…

— Não. — Ela guardou os testes na bolsa e limpou uma lágrima antes que caísse. — Eu entendi perfeitamente.

Caminhou até a porta, mas parou antes de sair.

— Você tem medo de um escândalo, Erick? Então fica tranquilo. Ninguém vai precisar saber que você foi capaz de rejeitar o próprio filho antes mesmo de ouvir o coração dele bater.

A porta bateu atrás dela.

Fiquei imóvel.

Minha mãe começou a falar alguma coisa sobre advogados, acordos e silêncio, mas eu já não ouvia.

Porque, pela primeira vez em muito tempo, a sala parecia grande demais.

E o meu poder, pequeno demais para alcançar a mulher que eu acabara de destruir.

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