ErickO conselho tinha cheiro de café caro, couro envelhecido e traição bem vestida.Eu entrei na sala às nove em ponto, mas todos já estavam sentados. Aquilo, por si só, era um aviso. Normalmente, esperavam por mim. Naquele dia, pareciam ter ensaiado a cena: homens e mulheres de expressão fechada, tablets sobre a mesa, pastas alinhadas, olhares que desviavam quando os meus encontravam os deles.No centro da mesa, Marcelo Viana sorria.Devagar.Como quem já sabia o final antes da reunião começar.— Erick — ele cumprimentou, com falsa cordialidade. — Que bom que conseguiu vir.Parei atrás da minha cadeira.— Minha empresa. Minha sala. Minha reunião. Eu sempre venho.O sorriso dele diminuiu, mas não sumiu.Sentei-me à cabeceira. Meu lugar. Meu território. Ainda assim, pela primeira vez em anos, senti como se alguém tivesse mexido nas paredes enquanto eu não olhava.Álvaro, meu diretor financeiro, evitou me encarar. Helena estava à minha direita, impecável, fria, com os dedos cruzados so
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