Renata
O apartamento novo tinha cheiro de tinta velha, parede úmida e recomeço forçado.
Ficava no terceiro andar de um prédio simples, sem elevador, numa rua estreita onde os carros passavam buzinando e as janelas dos vizinhos pareciam sempre abertas demais. A cozinha era pequena. O quarto mal cabia minha cama, uma cômoda antiga e duas malas com roupas dobradas às pressas. A sala tinha um sofá usado, comprado de segunda mão, e uma cortina fina que balançava quando o vento entrava pelas frestas